Sergio Moro defende saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Moro questiona apreensão de passaportes e considera compreensível viagem de Flávio aos EUA
Sergio Moro TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO O governador eleito do Paraná, Sergio Moro (PL), considerou compreensível a decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de deixar o Brasil após uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu sua saída do país e ordenou a entrega dos passaportes à Polícia Federal.
Em publicação nas redes sociais, Moro questionou a medida judicial contra o candidato derrotado na eleição presidencial de domingo (25), que recebeu aproximadamente 59,8 milhões de votos.
"O Brasil segue longe da normalidade institucional. No contexto, Flávio deixar o país é compreensível", escreveu o governador eleito.
Moro também questionou a apreensão dos documentos de viagem de um candidato da oposição no dia seguinte à eleição. O ex-juiz federal apoiou Flávio Bolsonaro durante a campanha presidencial.
Flávio cruzou a fronteira por Foz do Iguaçu após decisão de Moraes
A manifestação de Moro ocorreu na tarde de terça-feira, horas antes da passagem oficialmente registrada de Flávio Bolsonaro para a Argentina.
Segundo a Direção Nacional de Migrações argentina, o senador atravessou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú, às 22h50, acompanhado da esposa, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, e das duas filhas, Carolina e Luiza.
As autoridades argentinas informaram que os quatro apresentaram documentos válidos para ingressar no país e não tinham impedimentos registrados pela imigração local.
Às 23h30, a família embarcou em um avião particular da empresa Baires Fly, com destino a Guayaquil, no Equador.
Na manhã desta quarta-feira (28), a aeronave seguiu viagem com destino a Miami, nos Estados Unidos, onde o governo de Donald Trump informou que permitirá a entrada do senador e de seus familiares.
O deslocamento ocorreu apesar da proibição de deixar o território brasileiro determinada pelo Supremo Tribunal Federal.
Polícia Federal cancelou passaportes após descumprimento de ordem judicial
Na segunda-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal no prazo de 24 horas e permanecesse no Brasil.
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação que envolve o senador e o advogado Willer Tomaz, relacionada a suspeitas de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal havia apontado risco de fuga ao solicitar as medidas cautelares.
Flávio não entregou os documentos dentro do prazo estabelecido. Na terça-feira (27), a Polícia Federal comunicou o descumprimento ao STF e informou o cancelamento dos passaportes brasileiros do parlamentar.
Moro não abordou as suspeitas investigadas no processo em sua publicação. Sua manifestação ficou concentrada na crítica à restrição de viagem imposta ao senador.
Declaração ocorre após derrota de Flávio na eleição presidencial
Flávio Bolsonaro foi derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno realizado no domingo (25).
Depois da apuração, Flávio questionou o resultado e criticou a prorrogação do horário de votação determinada pelo STF.
Posteriormente, anunciou a intenção de pedir à Justiça Eleitoral a cassação da chapa vencedora por suposto abuso de poder durante a campanha.
A direção nacional do PL, presidida por Valdemar Costa Neto, reconheceu oficialmente a vitória de Lula.
O mandato de Flávio Bolsonaro no Senado termina em 31 de janeiro de 2027. Até lá, o parlamentar permanece sujeito às decisões judiciais relacionadas aos inquéritos em andamento.
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