Policial flagrado com 50 quilos de cocaína é condenado a 18 anos de prisão

Condenado por tráfico, investigador do Paraná acumulava 11 imóveis avaliados em R$ 5,5 milhões, aponta investigação

Ric RECORD/PortalEdsonValerio
Policial flagrado com 50 quilos de cocaína é condenado a 18 anos de prisão Durante a fuga, a caminhonete quase atingiu um caminhão antes de retornar à BR-277. Foto: Reprodução/Ric RECORD Curitiba

Um investigador da Polícia Civil do Paraná, preso após ser flagrado transportando aproximadamente 50 quilos de cocaína em uma falsa viatura policial, foi condenado a 18 anos de prisão por envolvimento com o tráfico de drogas. O caso também resultou em uma investigação patrimonial que identificou 11 imóveis avaliados em quase R$ 5,5 milhões associados ao policial.

O investigador Ulisses Monteiro Cardoso, que tinha 22 anos de atuação na corporação, também foi alvo de um processo administrativo.
O Conselho Superior da Polícia Civil confirmou que decidiu aplicar a penalidade de demissão a bem do serviço público. A decisão ainda precisa cumprir os trâmites administrativos cabíveis.

As informações sobre a condenação e o patrimônio foram divulgadas em reportagem da Ric RECORD Curitiba.

Fuga em alta velocidade terminou com 50 quilos de cocaína apreendidos

O caso ganhou repercussão depois que imagens mostraram o investigador conduzindo uma caminhonete em alta velocidade pela região de Cascavel, no Oeste do Paraná.

Durante a fuga, o veículo passou pelo pátio de um posto de combustíveis, quase atingiu um caminhão e retornou à BR-277.

Quando foi interceptada, a caminhonete transportava aproximadamente 50 quilos de cocaína.
O automóvel tinha giroflex e adesivos que simulavam a identificação de uma viatura policial.

Segundo a reportagem, o investigador também havia aparecido anteriormente em imagens relacionadas a uma troca de tiros na região de Cantagalo.

A ocorrência levou à abertura de investigações conduzidas pela Polícia Federal, com participação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), para apurar possíveis ligações com o tráfico e a lavagem de dinheiro.

Investigação identifica 11 imóveis e patrimônio de quase R$ 5,5 milhões

O levantamento patrimonial apontou a existência de 11 imóveis, entre casas, terrenos e sobrados, associados ao investigador.
O valor estimado chega a quase R$ 5,5 milhões.
Segundo a reportagem, os investigadores passaram a examinar a origem dos recursos utilizados na aquisição dos bens e na manutenção do padrão de vida da família.
O policial recebia remuneração superior a R$ 7 mil mensais, podendo chegar a aproximadamente R$ 15 mil em determinados períodos, com a inclusão de benefícios.
Entre os imóveis identificados está uma residência em condomínio fechado, equipada com piscina, banheira de hidromassagem, móveis de estilo imperial e um piano de cauda avaliado em aproximadamente R$ 100 mil.
A apuração também identificou propriedades destinadas à locação, veículos e bens registrados em nome de familiares.
Conforme a Ric RECORD, a investigação analisou ainda viagens, hospedagens de alto custo e outros gastos da família, além de uma empresa do setor imobiliário associada a um dos filhos do investigador.
Essas informações integram o levantamento financeiro destinado a esclarecer a origem do patrimônio.
A existência dos bens, isoladamente, não comprova sua aquisição com recursos ilícitos.

Ministério Público tenta recuperar cerca de R$ 6 milhões

Além da condenação criminal, o Ministério Público ingressou com um pedido judicial para recuperar bens e valores estimados em aproximadamente R$ 6 milhões, supostamente relacionados às atividades investigadas.
Entre os objetos citados estão o piano de cauda, avaliado em R$ 100 mil, e uma guitarra da marca Gibson.
Segundo a reportagem, existe uma proposta para que os instrumentos musicais sejam destinados a uma escola de música vinculada a uma universidade em Foz do Iguaçu.
A transferência, entretanto, depende de autorização judicial. O pedido de recuperação patrimonial não significa que todos os bens já tenham sido definitivamente confiscados.
Conselho da Polícia Civil decide pela demissão do investigador
A condenação a 18 anos de prisão foi divulgada na terça-feira (27). Paralelamente, o Conselho Superior da Polícia Civil confirmou a decisão administrativa de demitir Ulisses Monteiro Cardoso a bem do serviço público.
A medida representa o resultado do procedimento disciplinar, mas sua formalização depende das etapas administrativas previstas.
A investigação patrimonial segue como uma frente distinta da condenação criminal.
A Polícia Federal e o Ministério Público buscam esclarecer a origem dos recursos e a eventual utilização de bens e empresas para ocultação de valores provenientes do tráfico.

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