Polícia desmonta esquema de furto de caminhonetes que usava adolescentes como motoristas.

Operação Kriptonita mira quadrilha que furtava Hilux e levava veículos ao Paraguai; 20 mandados são cumpridos no Paraná

PCPR/PMPR/MP/
Polícia desmonta esquema de furto de caminhonetes que usava adolescentes como motoristas. Imagens: MidiaMax

Uma organização criminosa suspeita de furtar caminhonetes Toyota Hilux no Noroeste do Paraná e enviá-las ao Paraguai tornou-se alvo de uma operação policial na manhã desta quarta-feira (28).
Segundo a Polícia Civil, o grupo mantinha uma estrutura financiada por um foragido da Justiça, recrutava criminosos de Santa Catarina e utilizava adolescentes para transportar os veículos furtados até a fronteira.

Batizada de Operação Kriptonita, a ação mobiliza equipes em Umuarama, Alto Piquiri, Guaíra e Perobal, com o cumprimento de 20 mandados judiciais.
São sete ordens de prisão preventiva, duas de apreensão e internação provisória de adolescentes e 11 de busca e apreensão em residências.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Diligências Especiais (GDE) da 7ª Subdivisão Policial de Umuarama, com apoio da Polícia Militar e da Força Nacional de Segurança Pública.

Adolescentes eram usados para levar caminhonetes furtadas até o Paraguai

As investigações apontam que os integrantes da organização tinham funções definidas, desde a escolha dos veículos até a entrega das caminhonetes a receptadores na região de fronteira.

Uma das práticas identificadas pela Polícia Civil foi o recrutamento de adolescentes para localizar possíveis alvos. Os jovens percorriam ruas e bairros à procura de caminhonetes que pudessem ser furtadas, atividade conhecida pelos investigadores como "roletagem".

Depois dos furtos, alguns adolescentes assumiam a direção dos veículos e seguiam em alta velocidade por rodovias estaduais e federais até a fronteira com o Paraguai.

Segundo a polícia, a organização utilizava esse transporte para retirar rapidamente as caminhonetes do território brasileiro e encaminhá-las a receptadores no país vizinho.

Suspeito conhecido como “Forte” comandava o esquema a partir de Umuarama

A Polícia Civil identificou como principal articulador da organização um homem conhecido pelo apelido de "Forte", apontado como responsável pelo financiamento e pela coordenação das atividades criminosas.

De acordo com a investigação, ele possui antecedentes criminais e é procurado pela Justiça do Rio de Janeiro, onde existe um mandado de prisão em aberto relacionado a uma condenação por tráfico de drogas.

O suspeito também é apontado pela polícia como responsável por organizar uma fuga da cadeia pública de Assis Chateaubriand, no Oeste do Paraná, em 2025.

Na ocasião, agentes penitenciários foram rendidos e mantidos reféns, enquanto detentos conseguiram escapar levando viaturas e armamentos da unidade prisional.

A possível participação de "Forte" naquele episódio integra as informações levantadas pelos investigadores.

Grupo trazia suspeitos de Santa Catarina e financiava moradias no Paraná

Outro aspecto identificado pela investigação foi a contratação de pessoas de Joinville, em Santa Catarina, para atuar nos furtos no Noroeste paranaense.

Segundo a Polícia Civil, o homem apontado como líder custeava o transporte dos integrantes, combustível e aluguel de quitinetes utilizadas como bases de apoio.

A estrutura permitia que os suspeitos permanecessem na região durante a execução dos crimes.

Os investigadores também descobriram que o responsável pelo esquema promovia festas e churrascos em chácaras de lazer alugadas para comemorar furtos realizados pelo grupo.

Esses encontros, segundo a polícia, eram utilizados para reunir e incentivar os integrantes da organização.

Polícia procura equipamentos eletrônicos utilizados nos furtos

Os mandados de busca têm como objetivo localizar aparelhos utilizados para contornar os sistemas de segurança das caminhonetes.

Entre os materiais procurados estão programadores eletrônicos de chaves automotivas, equipamentos da marca Autel, módulos de ignição, ferramentas de arrombamento e placas clonadas.

As equipes também buscam armas de fogo, dinheiro, aparelhos celulares e outros dispositivos que possam contribuir para identificar participantes, esclarecer a movimentação financeira e rastrear o destino dos veículos.

Os investigados são suspeitos de envolvimento em organização criminosa armada e transnacional, furto qualificado, corrupção de menores e lavagem de dinheiro, além de outros delitos que possam ser identificados durante a investigação.

A Operação Kriptonita permanece em andamento nos quatro municípios. A Polícia Civil ainda não divulgou um balanço consolidado de prisões efetivadas e materiais apreendidos nesta quarta-feira.

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