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Maringá,16/07/2026

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Justiça determina intervenção na Santa Casa de Londrina.

Dívidas e problemas na gestão levam à intervenção judicial na Santa Casa de Londrina

RECORDTVPortal/EdsonValerio
Justiça determina intervenção na Santa Casa de Londrina. Fotos: Arquivo/ Ric RECORD Londrina

A Justiça do Paraná determinou uma intervenção judicial de 180 dias na Irmandade Santa Casa de Londrina (ISCAL).
A decisão também afastou oito integrantes da diretoria da instituição, que enfrenta uma grave crise financeira e administrativa.
A medida foi determinada pela juíza Gabriela Luciano Borri Aranda, da Vara da Fazenda Pública de Londrina, após um pedido do Ministério Público do Paraná (MPPR).
A ação aponta problemas nas áreas administrativa, financeira, sanitária e assistencial.
Para conduzir o processo de reorganização, a Justiça nomeou Reilly Alberto Aranda Lopes, diretor de Operações Hospitalares da Secretaria de Estado da Saúde e também responsável pelo Hospital Zona Norte de Londrina. 
O interventor terá a missão de reorganizar a gestão da Santa Casa, garantir a continuidade dos atendimentos e apresentar um diagnóstico da situação da instituição ao Judiciário.
Dívidas ultrapassam R$ 300 milhões
Segundo informações apresentadas no processo, a Santa Casa acumula mais de R$ 115 milhões em dívidas com instituições financeiras e quase R$ 200 milhões em parcelamentos com fornecedores e prestadores de serviços.  O MPPR também cita atrasos no pagamento de médicos e fornecedores, falta de especialistas, problemas sanitários e descumprimentos contratuais.
Entre as situações apontadas está ainda a falta de recolhimento do FGTS e problemas na escala de cirurgia pediátrica, situação que teria levado ao encaminhamento de pacientes para o Hospital Universitário de Londrina.

Risco para atendimento pelo SUS
A Justiça considerou que a situação da instituição não representa apenas uma dificuldade financeira, mas também pode comprometer a prestação de serviços essenciais à população.
Mais da metade dos leitos da Santa Casa é destinada ao Sistema Único de Saúde (SUS), incluindo unidades de terapia intensiva para adultos, crianças e recém-nascidos, além de leitos clínicos e cirúrgicos. Apesar da intervenção, não há previsão de interrupção dos atendimentos.
Segundo o MPPR, o objetivo da medida é justamente garantir a continuidade dos serviços enquanto a instituição passa pelo processo de reorganização.
Interventor terá prazo para apresentar diagnóstico
Os oito gestores afastados ficam impedidos de exercer funções administrativas ou financeiras na instituição, mas deverão colaborar com o interventor durante a transição.
O descumprimento da decisão pode resultar em multa diária de R$ 20 mil para cada responsável, limitada a R$ 1,2 milhão.
O interventor terá 30 dias para apresentar um relatório detalhado sobre a situação da Santa Casa.
Em até 120 dias, deverá encaminhar um cronograma para a convocação de uma assembleia destinada à eleição de uma nova diretoria.
Prefeitura também terá de acompanhar situação
A Justiça determinou ainda que a Autarquia Municipal de Saúde de Londrina cumpra, em até 60 dias, recomendações apontadas em uma auditoria da Secretaria de Estado da Saúde e informe ao Judiciário quais medidas foram adotadas para acompanhar a situação da instituição. A Prefeitura de Londrina informou que analisa técnica e juridicamente a decisão e afirmou que as conclusões da auditoria já são alvo de diligências internas.
O município também declarou que pretende colaborar com as autoridades e garantir a continuidade da assistência à população.
 Irmandade Santa Casa de Londrina informou que o caso está sendo discutido judicialmente e que não se manifestará sobre o assunto neste momento.




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