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Maringá,16/07/2026

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A Odisseia uma jornada épica e melancólica.

Novo filme de Christopher Nolan, A Odisseia apresenta o tradicional poema grego em uma épica jornada cinematográfica

Camilla Germano/ U.Pictures/Metrópoles
A Odisseia uma jornada épica e melancólica. Imagens: Universal Piuctures

Com visuais grandiosos e uma narrativa épica, Christopher Nolan volta aos cinemas com A Odisseia após dirigir filmes como Oppenheimer (2023), Tenet (2020) e Dunkirk (2017).
O cineasta reúne um elenco estrelado para adaptar o clássico poema atribuído a Homero, acompanhando a jornada de Odisseu durante e após a Guerra de Troia.
O filme se afasta da tradicional jornada do herói para construir uma narrativa não linear, alternando entre o presente — vinte anos após o início da Guerra de Troia — e acontecimentos do passado.
A trama revisita momentos decisivos do conflito, como a vitória com o Cavalo de Troia, enquanto acompanha a longa jornada de Odisseu (Matt Damon) para voltar para casa.
A trama se desenvolve em dois núcleos principais.
Anne Hathaway (Penelope) e Mia Goth (Melantho) no filme A Odisseia
O primeiro se passa em Ítaca, reino governado por Odisseu, que fica sem rei quando ele parte para a Guerra de Troia. Penélope (Anne Hathaway), sua esposa, passa a conviver com mais de cem pretendentes que ocupam o palácio enquanto aguardam que ela escolha um novo marido, já que ninguém sabe se o herói ainda está vivo.
Tom Holland (Telêmaco) no filme A Odisseia
Diante da crescente tensão, Telêmaco (Tom Holland) decide deixar a ilha para procurar notícias do pai.
É nesse contexto que Nolan introduz um dos conceitos centrais da narrativa: a xenia, conhecida como a Lei de Zeus.
Na tradição grega, a hospitalidade era considerada um dever sagrado, exigindo que anfitriões acolhessem viajantes e estrangeiros com respeito.
Ao transformar essa regra em um dos pilares da trama, o diretor usa o conceito para orientar as relações entre os personagens e evidenciar quem honra — ou viola — os valores defendidos pelos deuses.
Aos poucos, esse pacto vai sendo quebrado pelos personagens de maneira sutil e, embora o tema apareça em cenas curtas e não seja muito explorado de forma direta, ele percorre todo o filme até a revelação final de por que a Lei vem sendo ignorada e deixada de lado.
É uma linha tênue, mas que se prova essencial e atrelada a todas as provações enfrentadas por Odisseu, além de se conectar com elementos de culpa e melancolia que percorrem toda a trama.
Matt Damon (Odisseu) no filme A Odisseia
Jornada épica em A Odisseia
Já o segundo núcleo acompanha a jornada de Odisseu desde o fim da Guerra de Troia até o retorno a Ítaca. Em uma narrativa não linear, Nolan alterna passado e presente para revelar, aos poucos, os acontecimentos que moldaram o destino do herói e permitir que o espectador monte o quebra-cabeça da história. Mais do que retratar a longa viagem de Odisseu, o diretor transforma cada etapa do percurso em um espetáculo visual.
A Odisseia (2026), dirigido por Christopher Nolan, adapta o clássico poema grego de Homero
Da tensão no confronto com o ciclope ao encontro com as sereias, passando pela descida ao submundo, onde o herói é confrontado pelos fantasmas de suas escolhas, A Odisseia raramente perde o fôlego e reforça sua vocação para o épico.
As atuações talvez sejam o elemento que mais se destoa no longa.
Em um elenco tão estrelado, o que poderia ser uma série de performances grandiosas se torna uma união de presenças comedidas e pontuais, o que não é necessariamente ruim, considerando que os visuais e a construção das cenas pesam mais do que atuações brilhantes de personagens secundários.
A exceção fica por conta dos momentos em que Matt Damon e Anne Hathaway dividem a tela.
Juntos, os dois constroem cenas potentes e memoráveis que se destacam no conjunto da produção.
Com quase duas horas, o filme conduz o espectador sem que o tempo passe e sem que nenhuma cena pareça estar ali sem motivo.
É envolvente, narrativamente coeso e entrega visuais que colocam o público dentro da cena, mesmo para quem não assistiu no formato IMAX de 70mm para o qual foi idealizado e gravado.
Assim, o longa se soma a outras obras de Christopher Nolan que se justificam por si mesmas: atuações sólidas e contidas somadas a visuais épicos que, juntos, tornam o filme em uma experiência que não se deve perder a oportunidade de ver nas telonas.




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