Claudinei Silva - Terapeuta
Compulsão alimentar: quando o problema não é a comida
A compulsão alimentar costuma ser interpretada como falta de disciplina ou de controle. Mas essa é uma visão simplista de um problema muito mais complexo.
Em muitos casos, o alimento deixa de ser apenas uma fonte de nutrição e passa a funcionar como uma forma de aliviar emoções difíceis, como ansiedade, tristeza, culpa, frustração ou sensação de vazio.
O episódio compulsivo é marcado pela perda de controle.
A pessoa come rapidamente, muitas vezes sem fome física, e sente que não consegue parar.
Logo depois, surgem vergonha, arrependimento e a promessa de que "nunca mais vai acontecer", o problema é que, sem compreender o que alimenta esse comportamento, o ciclo tende a se repetir.
Existe um mito muito comum de que basta "ter força de vontade", mas se fosse assim, ninguém sofreria com a compulsão. A grande verdade é que dietas extremamente restritivas, autocobrança e culpa costumam aumentar ainda mais o risco de novos episódios.
Outro equívoco é acreditar que apenas pessoas com obesidade desenvolvem compulsão alimentar, pois o transtorno pode afetar indivíduos de qualquer peso.
O que define a compulsão não é a aparência física, mas a relação de sofrimento, perda de controle e impacto na qualidade de vida.
Quando procurar ajuda? Quando a comida passa a ocupar um espaço maior do que deveria, quando comer gera sofrimento, quando existe perda frequente de controle ou quando a alimentação começa a prejudicar relacionamentos, trabalho, autoestima e saúde. Esses são sinais importantes de que o problema vai além da alimentação. Mais do que aprender a comer diferente, é fundamental compreender por que o cérebro passou a utilizar a comida como estratégia para lidar com determinadas emoções.
Em muitos casos, o alimento não é o problema principal, ele apenas se tornou a resposta para um padrão emocional que continua sendo repetido. Cuidar da compulsão alimentar não é apenas mudar o cardápio.
É desenvolver consciência sobre os próprios padrões, compreender a função que a comida passou a exercer e construir novas formas de lidar com aquilo que antes era silenciado através da alimentação.
Porque, muitas vezes, o que parece ser excesso de comida é, na verdade, excesso de sofrimento emocional buscando uma forma de ser aliviado.
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