Júri de motorista do Porsche azul começa nesta quarta
Fernando Sastre Filho está preso desde maio de 2024 e será julgado por homicídio qualificado e lesão corporal gravíssima
Fernando Sastre, que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana. — Foto: Reprodução Mais de dois anos depois da colisão que matou um motorista de aplicativo em São Paulo, o empresário Fernando Sastre de Andrade Filho será levado a júri popular nesta quarta-feira (28).
O julgamento está marcado para as 10h, no Fórum Criminal da Barra Funda, na capital paulista.
O Ministério Público pretende pedir uma condenação superior a 20 anos de prisão.
Fernando Sastre responde por homicídio qualificado, na modalidade de dolo eventual, e lesão corporal gravíssima.
A acusação sustenta que ele assumiu o risco de provocar uma morte ao dirigir um Porsche após consumir bebida alcoólica e em velocidade muito superior à permitida.
A vítima foi o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana, de 52 anos, que trabalhava na madrugada de 31 de março de 2024, quando seu Renault Sandero foi atingido na traseira pelo Porsche conduzido pelo empresário, na Avenida Salim Farah Maluf, no Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.
Ornaldo chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital.
O passageiro do Porsche, Marcus Vinicius Machado Rocha, amigo de Fernando e estudante de Medicina, sobreviveu com ferimentos graves.
Ele sofreu fraturas em quatro costelas e precisou passar por uma cirurgia para retirada do baço.
O laudo do Instituto de Criminalística concluiu que o Porsche 911 Carrera GTS chegou a atingir 156 km/h antes do acidente.
No instante da batida, o veículo estava a aproximadamente 136 km/h, segundo a perícia.
O limite de velocidade naquele trecho era de 50 km/h.
A investigação reuniu imagens de câmeras de monitoramento, depoimentos de testemunhas e registros que, segundo o Ministério Público, indicam consumo de bebidas alcoólicas pelo empresário antes de assumir a direção.
Marcus Vinicius, que estava no banco do passageiro, declarou à polícia e à Justiça que Fernando havia ingerido álcool naquela noite.
O empresário nega ter consumido bebida alcoólica antes da colisão.
Ao lado, Fernando Sastre de Andrade Filho, réu por homicídio, esta preso de forma preventiva há mais de dois anos
Foto: Marcelo Goncalves/Folhapress

Promotores vão defender condenação superior a 20 anos
O júri será presidido pela juíza Melanie Liesenberg e tem previsão de durar dois dias, podendo se estender além de quinta-feira (29).
Sete jurados formarão o Conselho de Sentença, responsável por decidir sobre as acusações.
Antes da votação, serão ouvidas testemunhas da acusação e da defesa, além do próprio réu.
O Ministério Público será representado pelos promotores Rodolfo Morais e Lucas Schaef.
Na terça-feira (27), Morais afirmou ao g1 que a Promotoria buscará uma pena superior a 20 anos.
Schaef mencionou uma expectativa de pelo menos 15 a 20 anos, considerando a qualificadora e as consequências do crime.
Fernando está preso preventivamente desde 6 de maio de 2024.
Atualmente, cumpre a medida em uma unidade prisional de Potim, no interior paulista, mas deverá participar presencialmente do julgamento.
Defesa nega embriaguez e tenta mudar classificação do crime
A defesa sustenta que a colisão deve ser tratada como homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e não como homicídio por dolo eventual, modalidade em que o acusado assume o risco de provocar a morte.
Os advogados também contestam a qualificadora de perigo comum atribuída ao crime.
Em dezembro de 2025, a defesa apresentou um habeas corpus ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), solicitando a mudança da classificação jurídica e a retirada da qualificadora. O pedido liminar foi negado.
O advogado Jonas Marzagão, que integra a equipe de defesa, informou ao g1 na terça-feira (27) que não comentaria o julgamento.
Dois policiais militares viraram réus por liberarem motorista após acidente
Outro desdobramento do caso ocorreu na última quinta-feira (22), quando a Justiça Militar de São Paulo recebeu uma denúncia contra dois policiais militares responsáveis pelo atendimento da ocorrência.
Os agentes Thiago Silva Batista e Daisy Aparecida Cardoso Romão são acusados de descumprir normas e procedimentos operacionais ao permitirem que Fernando deixasse o local da colisão sem passar pelo teste do bafômetro.
Segundo o Ministério Público, o empresário foi liberado após um pedido de sua mãe, que alegou a necessidade de levá-lo a um hospital.
Entretanto, ele não foi localizado na unidade hospitalar indicada e só se apresentou à polícia cerca de 36 horas depois.
A Promotoria sustenta que a conduta dos policiais prejudicou a apuração das circunstâncias da colisão.
A denúncia também aponta problemas na preservação do local e no acionamento de uma das câmeras corporais.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo já havia reconhecido falhas nos procedimentos adotados pelos agentes.
Os dois militares responderão ao processo na Justiça Militar, separadamente do julgamento de Fernando Sastre.
O recebimento da denúncia não representa condenação.
O resultado do júri deverá definir a responsabilidade criminal do empresário pela morte de Ornaldo e pelos ferimentos sofridos por Marcus Vinicius.
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