Cientistas aprovam mudança na contagem do tempo.
Após mais de 50 anos, cientistas decidem acabar com ajuste de segundos nos relógios
Reprodução Redes Sociais. Uma decisão internacional vai mudar a maneira como o tempo é contado em todo o planeta. A partir de 20 de maio de 2027, os relógios que seguem o padrão mundial deixarão de receber os chamados segundos intercalares, pequenos ajustes utilizados há mais de cinco décadas para compensar variações na rotação da Terra.
A mudança foi aprovada em 15 de outubro de 2026, durante a 28ª Conferência Geral de Pesos e Medidas, realizada em Versalhes, na França, com a participação de representantes de diferentes países.
O objetivo é tornar a contagem oficial do tempo contínua, eliminando correções que podem provocar problemas em sistemas digitais responsáveis por operações financeiras, telecomunicações, distribuição de energia e navegação por satélite.
Por que os cientistas acrescentavam segundos aos relógios?
Desde 1972, a medição internacional do tempo utiliza os chamados segundos intercalares para ajustar a diferença entre dois sistemas: os relógios atômicos e o movimento de rotação da Terra.
Os relógios atômicos são extremamente precisos. Já a velocidade de rotação do planeta sofre pequenas variações, influenciadas por fenômenos naturais.
Por isso, em determinados momentos, os responsáveis pelo controle do horário mundial precisavam acrescentar um segundo à contagem.
Na prática, um minuto poderia ter 61 segundos, em vez dos habituais 60.
Esse procedimento permitia manter o Tempo Universal Coordenado (UTC), referência utilizada internacionalmente, próximo do tempo determinado pela rotação terrestre. O último segundo extra foi acrescentado em 31 de dezembro de 2016.
Risco de falhas tecnológicas motivou a mudança
Embora praticamente imperceptíveis para a população, essas correções representam um desafio para equipamentos e programas que dependem de sincronização precisa.
Servidores de internet, sistemas bancários, redes de telefonia e equipamentos de navegação precisam registrar eventos em sequências de tempo consistentes.
A introdução inesperada de um segundo pode gerar divergências entre diferentes sistemas, prejudicando operações automatizadas.
Outra preocupação surgiu porque, nos últimos anos, a Terra apresentou períodos de rotação mais rápida. Isso levantou a possibilidade de ser necessário, pela primeira vez, retirar um segundo da contagem oficial, em vez de acrescentá-lo.
Especialistas estimaram em aproximadamente 30% a possibilidade de ocorrer essa necessidade até 2035.
Diante desses riscos, os países decidiram antecipar a mudança, que anteriormente estava prevista para ocorrer até 2035.
O que vai acontecer com os relógios a partir de 2027?
Com a nova regra, o Tempo Universal Coordenado poderá se afastar gradualmente do horário astronômico em até 3.600 segundos, equivalentes a uma hora, antes que uma nova correção precise ser considerada.
Essa diferença deverá levar séculos, possivelmente milhares de anos, para se acumular.
Isso não significa que os relógios ganharão ou perderão uma hora em 2027. A mudança elimina a necessidade de inserir ou retirar segundos isolados na contagem internacional.
Também não altera a duração do segundo, nem exige que as pessoas acertem manualmente seus relógios.
Para a população, os horários continuarão funcionando normalmente. A principal consequência será percebida nos sistemas tecnológicos que dependem de precisão e sincronização. A decisão encerra uma prática adotada há mais de 50 anos e estabelece um novo padrão para a contagem mundial do tempo.
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