Exames podem ajudar nos tratamentos contra a depressão

Estudo identifica seis perfis cerebrais ligados à depressão e abre caminho para tratamentos personalizados

Nature Medicine/PortalEdsonValerio
Exames podem ajudar nos tratamentos contra a depressão Fotos: RedeSocial/Reprodução

Pesquisadores estão desenvolvendo exames capazes de identificar diferenças biológicas entre pessoas com depressão e ajudar os médicos a escolher tratamentos mais adequados para cada paciente.
Entre as técnicas estudadas estão a ressonância magnética funcional do cérebro e testes laboratoriais realizados com células do próprio paciente.

O trabalho faz parte de uma área conhecida como psiquiatria de precisão, que busca compreender por que pessoas com sintomas semelhantes podem responder de maneiras diferentes aos mesmos medicamentos ou à psicoterapia.

Atualmente, o diagnóstico da depressão é baseado principalmente na avaliação clínica, no histórico do paciente e na identificação dos sintomas. A escolha dos medicamentos considera esses fatores e a resposta individual ao tratamento, que pode exigir ajustes até alcançar o resultado esperado.

As novas pesquisas procuram acrescentar informações biológicas a esse processo, permitindo identificar antecipadamente quais abordagens têm maior possibilidade de apresentar bons resultados.

Ressonância identifica 6 perfis cerebrais relacionados à depressão

Uma das principais pesquisas foi desenvolvida pela Universidade Stanford, nos Estados Unidos, sob a liderança da neurocientista Leanne Williams. (foto ao lado)
Em um estudo publicado na revista científica Nature Medicine, pesquisadores analisaram exames de ressonância magnética funcional de 801 pessoas com depressão ou transtornos de ansiedade.
Com auxílio de técnicas computacionais, a equipe identificou seis padrões distintos de funcionamento dos circuitos cerebrais, chamados de biotipos.
Em uma etapa envolvendo 250 participantes submetidos a tratamentos, os pesquisadores observaram diferenças nas respostas a medicamentos antidepressivos e à terapia comportamental, dependendo do perfil cerebral identificado.
Um dos grupos apresentou resposta mais favorável à venlafaxina, enquanto outro obteve melhores resultados com uma modalidade de psicoterapia. Os resultados indicam que a análise da atividade cerebral poderá ajudar os profissionais de saúde a selecionar tratamentos de maneira mais individualizada.

Células do sangue podem ser transformadas em neurônios para testar medicamentos

Outra linha de pesquisa utiliza células retiradas dos próprios pacientes para produzir neurônios em laboratório.

Por meio de uma técnica de reprogramação celular, determinadas células adultas, inclusive sanguíneas, podem ser transformadas em células-tronco e posteriormente direcionadas à formação de neurônios.

Essas células passam então por testes com diferentes medicamentos antidepressivos.

Os cientistas observam como os neurônios respondem às substâncias, analisando aspectos como a comunicação entre as células e as alterações em suas conexões.

A proposta é identificar características que possam ajudar a prever a resposta aos medicamentos antes de sua prescrição.

Pesquisas publicadas em 2026 na revista Neuropsychopharmacology apontam essa tecnologia como uma possibilidade para o desenvolvimento de tratamentos personalizados.

Quando esses exames poderão chegar aos pacientes?

Apesar dos resultados, os exames ainda não fazem parte da rotina de diagnóstico da depressão. A aplicação ampla depende de novos estudos que comprovem sua precisão, utilidade clínica e viabilidade nos serviços de saúde.

Em 2026, a Universidade Stanford anunciou uma comissão internacional de especialistas para estudar como os avanços da neurociência poderão ser incorporados ao atendimento de pessoas com transtornos mentais.

A iniciativa é coordenada por Leanne Williams e reúne pesquisadores de diferentes especialidades.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 322 milhões de pessoas viviam com depressão no mundo em 2023.
A expectativa dos pesquisadores é que, futuramente, as informações obtidas por exames cerebrais e celulares possam complementar a avaliação médica, reduzindo a necessidade de sucessivas mudanças de tratamento.

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