Campanhas eleitorais investem R$ 288,7 milhões na Meta.
Facebook e Instagram recebem investimento recorde das campanhas nas eleições de 2026
Reprodução As campanhas eleitorais já declararam R$ 288,7 milhões em contratações diretas com a Meta, responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp. O valor é o maior registrado pela empresa em uma eleição no Brasil e supera em mais de duas vezes os R$ 129 milhões contabilizados em 2022.
O levantamento utiliza dados disponíveis até esta terça-feira (20) nas prestações de contas apresentadas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Entre os partidos, o PL lidera as contratações, com R$ 63,7 milhões, seguido pelo PT, que declarou R$ 37,9 milhões.
Na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com R$ 7,45 milhões em despesas contratadas diretamente com a empresa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou R$ 2,59 milhões.
Os valores correspondem às contratações registradas pelas próprias candidaturas, e não ao conjunto de despesas dos respectivos partidos. As informações são parciais, pois as campanhas ainda terão prazo para apresentar suas prestações de contas definitivas.
PL lidera investimentos; veja os valores dos partidos
Os quatro partidos com maiores gastos declarados diretamente com a Meta são:
Partido | Valor declarado |
|---|---|
PL | R$ 63,7 milhões |
PT | R$ 37,9 milhões |
PSD | R$ 30,3 milhões |
União Brasil | R$ 23,3 milhões |
O levantamento também identificou os cinco candidatos com maiores contratações individuais.
Candidato | Valor declarado |
|---|---|
Flávio Bolsonaro | R$ 7,45 milhões |
Lula | R$ 2,59 milhões |
Fernando Haddad | R$ 2,54 milhões |
Célio Studart Barbosa | R$ 2,40 milhões |
Ciro Gomes | R$ 2,40 milhões |
Em 2018, nenhuma candidatura havia ultrapassado R$ 1 milhão em contratações diretas com a empresa.
Na eleição deste ano, 24 candidaturas já superaram esse valor, totalizando aproximadamente R$ 41 milhões.
Participação da Meta nas despesas chega a 6%
O crescimento das contratações aparece também na comparação entre as últimas eleições.
Em 2018, a Meta recebeu R$ 22,7 milhões em contratações diretas, equivalentes a 0,7% das despesas declaradas naquele pleito. Quatro anos depois, em 2022, o valor chegou a R$ 129 milhões, representando 1,9%.
Neste ano, os R$ 288,7 milhões já correspondem a 6% das despesas eleitorais declaradas.
Parte desses recursos está relacionada ao impulsionamento de publicações, serviço que permite às campanhas pagar para ampliar o alcance de mensagens e anúncios nas plataformas digitais.
Os registros de contratações também podem incluir outros serviços oferecidos pela empresa.
Por isso, o total declarado não corresponde necessariamente ao valor efetivamente utilizado na divulgação de anúncios.
Valores ainda podem aumentar
Os dados foram extraídos das despesas contratadas disponíveis no sistema de prestação de contas do TSE e consideram os registros vinculados diretamente à Facebook Serviços Online do Brasil.
As campanhas que participaram apenas do primeiro turno têm até 3 de novembro para apresentar a prestação de contas definitiva. Para as candidaturas que disputam o segundo turno, o prazo termina em 14 de novembro.
O levantamento também não inclui necessariamente todos os gastos com publicidade digital, já que contratos intermediados por agências podem aparecer nas prestações de contas em nome dessas empresas.
TSE cobra tratamento igualitário às campanhas
O crescimento dos investimentos ocorre enquanto a Meta responde a questionamentos na Justiça Eleitoral sobre a distribuição de conteúdos políticos.
Na segunda-feira (19), o ministro Marco Aurélio Bellizze, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou que a empresa comprovasse, em 24 horas, a adoção de medidas para garantir tratamento igualitário às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro.
As duas campanhas apresentaram reclamações relacionadas ao alcance de publicações e às ferramentas de divulgação nas plataformas. A Meta negou favorecer qualquer candidatura e afirmou ter adotado medidas para cumprir as determinações judiciais.
O TSE estabeleceu multa diária de R$ 1 milhão em caso de descumprimento da ordem.
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