Patricia Coelho - Terapeuta

Quando o sexo desaparece, o problema nem sempre está na cama

REPRODUÇÃO
Quando o sexo desaparece, o problema nem sempre está na cama

“Eu amo meu parceiro, mas não tenho mais vontade de transar com ele.”
Essa é uma frase que escuto com frequência no consultório. E as mulheres se acham erradas, culpadas as vezes até angustiadas em não terem desejo no parceiro.
E existe um erro comum quando isso acontece: achar que a falta de sexo significa automaticamente falta de amor ou de atração.
Nem sempre.
Em muitos relacionamentos, o sexo começa a desaparecer muito antes de o casal chegar à cama.
Ele desaparece quando o toque vira apenas rotina. Quando toda conversa termina em cobrança.
Quando um se sente constantemente rejeitado e o outro constantemente pressionado.
Quando a mulher passa o dia resolvendo trabalho, filhos, casa e problemas, chega à noite sem conseguir simplesmente desligar, está exausta.
Quando ressentimentos vão sendo acumulados e ninguém conversa sobre eles, ninguém pede desculpas.
Ou quando o sexo deixa de ser encontro e começa a parecer obrigação.
E aí nasce um ciclo perigoso! Um procura sexo para se sentir conectado.
O outro precisa se sentir conectado para desejar sexo.
Quanto mais um cobra, mais o outro se afasta.
Quanto mais o outro se afasta, maior se torna a sensação de rejeição.
Até que o casal começa a discutir sobre frequência quando, na verdade, o problema pode estar na qualidade da relação que existe fora da cama.
Isso não significa que toda redução do desejo seja causada pelo relacionamento.
Alterações hormonais, medicamentos, saúde física e mental, estresse, sono e diferentes fases da vida também podem interferir na libido e merecem investigação quando necessário.
Mas existe uma pergunta que todo casal deveria fazer antes de transformar sexo em cobrança:
“Como estamos nos relacionando quando não estamos tentando ter intimidade na cama?”
Porque intimidade também é conversa, admiração, brincadeira, carinho, segurança, interesse e espaço para existir como casal  não apenas como pais, profissionais ou administradores de uma casa.
Sexo não deveria funcionar como prova de amor, obrigação conjugal ou moeda de troca.
E também não deveria ser um assunto proibido.
Casais precisam conseguir conversar sobre desejo, frequência, rejeição, preferências e dificuldades sem transformar vulnerabilidade em acusação.
Porque, muitas vezes, recuperar a vida sexual não começa tentando fazer mais sexo.
Começa entendendo o que aconteceu entre duas pessoas para que elas parassem de desejar se encontrar dessa maneira.
E eu deixaria uma pergunta para você levar para o seu relacionamento:
O sexo realmente desapareceu entre vocês  ou foi a conexão que começou a desaparecer primeiro?

Patrícia Coelho
Terapeuta e Mentora de Casais




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