Claudinei Silva - Terapeuta
Eu amo meu filho, mas não consigo abraçá-lo. Por quê?
Você já percebeu que algumas mães demonstram um amor enorme pelos filhos, mas encontram dificuldade em abraçá-los, beijá-los ou simplesmente permanecer próximas fisicamente?
São mulheres que cuidam, protegem, acompanham a escola, se preocupam com a saúde e fazem de tudo para que nada falte. Mas, quando o filho se aproxima para um abraço mais demorado, alguma coisa parece travar.
O corpo fica rígido, surge um desconforto e, muitas vezes, a vontade é encerrar aquele contato rapidamente.
Depois vem a culpa.
Afinal, como alguém pode amar tanto um filho e, ao mesmo tempo, sentir dificuldade em demonstrar esse amor através do carinho?
A resposta começa quando entendemos que amar alguém e sentir-se confortável com a proximidade física não são necessariamente a mesma coisa.
O ser humano aprende desde cedo como se relacionar com o afeto.
Algumas crianças crescem recebendo abraços, acolhimento e demonstrações espontâneas de carinho.
Outras vivem em ambientes onde o toque é pouco frequente, a vulnerabilidade não encontra espaço ou a proximidade vem acompanhada de cobranças e insegurança.
Essas experiências podem contribuir para a construção de padrões emocionais que acompanham a pessoa até a vida adulta.
E existe algo interessante: muitas dessas mulheres se tornam extremamente responsáveis. Resolvem problemas, cuidam de todos, antecipam necessidades e demonstram amor através de atitudes.
Elas aprenderam a cuidar, mas nem sempre aprenderam a se sentir confortáveis recebendo cuidado.
Quando alguém se aproxima emocionalmente, o corpo pode responder com desconforto, mesmo quando existe amor e desejo de corresponder.
A maternidade, em muitos casos, não cria essa dificuldade. Apenas torna mais evidente um padrão que já aparecia em outras relações.
A mesma mulher que encontra dificuldade para abraçar o filho pode se sentir desconfortável ao receber carinho do parceiro, aceitar elogios ou permitir que alguém cuide dela.
E quanto mais tenta se obrigar a ser carinhosa, maior pode se tornar a tensão.
Por isso, o caminho não é simplesmente dizer que essa mãe precisa abraçar mais.
É compreender o que acontece emocionalmente quando alguém se aproxima.
Na Terapia Breve com Hipnose, em Maringá, trabalho justamente com a investigação desses padrões aprendidos, buscando compreender por que determinadas situações continuam provocando respostas automáticas, mesmo quando a pessoa deseja agir de outra maneira.
O objetivo não é ensinar uma mãe a amar seu filho.
É ajudá-la a compreender o que pode estar dificultando a expressão de um amor que já existe.
Também é importante lembrar que nem toda dificuldade com o toque tem origem emocional. Preferências pessoais, sensibilidades sensoriais e outras condições podem influenciar essa experiência.
O mais importante é não transformar essa dificuldade em uma sentença sobre a capacidade de amar.
Porque uma mãe pode demonstrar amor todos os dias através do cuidado e, ainda assim, desejar construir uma relação mais confortável com o abraço, o carinho e a proximidade.
E talvez essa seja a reflexão mais importante: Quantas pessoas passaram a vida inteira demonstrando amor através de tudo aquilo que fazem, mas ainda encontram dificuldade para receber o amor que chega até elas?
O amor pode estar presente. O que precisa mudar, em alguns casos, é o padrão que impede a pessoa de vivê-lo com liberdade.
Nei Silva
Terapia Breve com Hipnose em Maringá | Comportamento Humano e Relacionamentos
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