Sessão sobre Moraes tem bate-boca e é suspensa
Reprodução O Supremo Tribunal Federal está realizando nesta terça-feira (15) sessão extraordinária para decidir se abre uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes por sua suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito do Caso Master.
A sessão foi marcada por discussões e acusações entre os ministros durante a manhã.
Os trabalhos foram suspensos e devem ser retomados às 14h. Na volta, o plenário deverá analisar uma questão de ordem para decidir se dois processos relacionados ao caso serão reunidos e se o julgamento será adiado para 23 de setembro.
Moraes chama investigação de fraudulenta
Em sua manifestação, Alexandre de Moraes classificou a investigação como “fraudulenta” e acusou o ministro André Mendonça de uma condução “mafiosa” do caso.
Moraes contestou os elementos reunidos pela Polícia Federal e negou ter cometido irregularidades na relação com Daniel Vorcaro.
Gilmar Mendes também criticou a atuação de Mendonça e afirmou identificar um “viés político-eleitoral” na condução do procedimento.
André Mendonça rebateu as declarações e classificou como “leviana” a manifestação de Gilmar.
Ministros falam em Polícia Federal paralela
Durante a discussão, André Mendonça e Luiz Fux citaram a possível existência de uma estrutura paralela dentro da Polícia Federal destinada ao monitoramento de ministros do Supremo.
O tema aumentou a tensão no plenário e ampliou o confronto entre os integrantes da Corte.
O julgamento analisa um relatório elaborado pela Polícia Federal com mensagens e outros elementos relacionados a Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro.
A sessão não decide sobre culpa ou condenação. Os ministros avaliam apenas se existem indícios suficientes para autorizar o aprofundamento da investigação.
Relatoria provoca nova discussão
A condução da Petição 16.662 também provocou divergências. Gilmar Mendes questionou o fato de o presidente do STF, Edson Fachin, ter assumido a relatoria do processo.
Flávio Dino classificou a medida como uma atuação “avocatória”, entendimento rejeitado por Fachin.
André Mendonça afirmou que o envio do processo à Presidência do Supremo ocorreu a partir de uma interpretação do Regimento Interno e não por uma decisão pessoal de Edson Fachin.
Nunes Marques e Toffoli não participam da votação
O ministro Kassio Nunes Marques declarou-se impedido de participar do julgamento. Dias Toffoli alegou suspeição. Com as decisões, os dois ministros não participarão da votação sobre a possível abertura da investigação contra Alexandre de Moraes. O julgamento será retomado às 14h.
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