Lito Sousa permanece estável na UTI.
O brasileiro foi o primeiro paciente a receber o medicamento experimental ALN-6457
Lito Sousa e esposa Mila Seidl / Reprodução Redes Sociais. O influenciador e especialista em aviação Lito Sousa, de 59 anos, recebeu o medicamento experimental ALN-6457 para tentar conter a progressão da doença de Creutzfeldt-Jakob, condição neurológica rara, agressiva e sem cura.
Lito é o primeiro paciente a receber a substância, que ainda não passou por estudos clínicos formais em seres humanos para o tratamento da doença. Ele permanece internado na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, desde 8 de setembro, mas apresenta quadro estável.
A atualização foi divulgada pela esposa, Mila Seidl, em vídeo publicado no canal do casal no YouTube.
Ela ressaltou que o início do tratamento não significa que a doença esteja controlada.
“Eu não quero que as pessoas entendam que está tudo resolvido. Não está. A gente ainda está no começo. Não existe garantia de que ele vai melhorar ou de que essa medicação vai funcionar”, afirmou.
Anvisa autorizou uso excepcional
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, em 4 de setembro, a importação e a aplicação do ALN-6457. A liberação ocorreu pelo chamado uso compassivo, destinado a pacientes com doenças graves, sem alternativa terapêutica satisfatória e com risco de evolução fatal.
A autorização é individual e não significa que o medicamento tenha sido aprovado para comercialização ou que sua eficácia esteja comprovada.
Antes de chegar a Lito, a substância havia sido avaliada apenas em animais. Os resultados pré-clínicos são considerados promissores, mas ainda não permitem prever como o organismo humano responderá. O pedido também dependeu da concordância da farmacêutica responsável pelo desenvolvimento do medicamento e da aprovação de um comitê de ética.
Medicamento chegou ao Brasil em operação de urgência
A chegada da substância exigiu uma operação internacional envolvendo Suíça, Estados Unidos e Brasil. Parte do material saiu da Suíça e outra parte veio dos Estados Unidos. A mobilização contou com a participação da Anvisa, Receita Federal, Polícia Federal, Aeroporto Internacional de Guarulhos e uma empresa de táxi aéreo.
A logística precisou ser refeita após o cancelamento de um voo por problemas técnicos. Como o medicamento tinha um período limitado para ser transportado e aplicado, a liberação da carga ocorreu poucos minutos depois da chegada ao Brasil.
Um helicóptero levou o ALN-6457 diretamente de Guarulhos ao Hospital Israelita Albert Einstein, reduzindo o tempo até o início do tratamento.
Como funciona o medicamento experimental
A doença de Creutzfeldt-Jakob é causada pelo acúmulo de príons, proteínas anormais que provocam danos progressivos ao sistema nervoso e comprometem rapidamente as funções neurológicas.
O ALN-6457 utiliza uma tecnologia conhecida como silenciamento de RNA. A proposta é reduzir a produção da proteína priônica e tentar desacelerar a evolução da doença. Ainda não existem evidências clínicas em seres humanos capazes de demonstrar se a substância poderá interromper, retardar ou reverter o quadro.
Resposta deve levar até sete semanas
A família não espera uma mudança imediata no estado de saúde de Lito. Conforme Mila Seidl, serão necessárias aproximadamente seis ou sete semanas para avaliar a resposta do organismo e comparar a evolução clínica depois da aplicação.
“Não é algo que você coloca aqui e, na mesma hora, já sai andando. O organismo tem que processar aquilo tudo”, explicou.
O acompanhamento será realizado pela equipe médica do Hospital Albert Einstein. Até o momento, Lito permanece estável dentro da gravidade do quadro clínico.
Quem é Lito Sousa
Conhecido pelo canal Aviões e Músicas, Lito Sousa é mecânico de aeronaves, escritor e criador de conteúdo sobre aviação. Ele conquistou milhões de seguidores ao explicar, de maneira acessível, o funcionamento dos aviões e os procedimentos relacionados à segurança aérea.
Após enfrentar um câncer de próstata, Lito recebeu em agosto de 2026 o diagnóstico da doença de Creutzfeldt-Jakob. A rápida evolução do quadro levou a família a procurar tratamentos experimentais dentro e fora do Brasil.
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