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Maringá,03/08/2026

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Vorcaro vê propostas de delação rejeitadas no STF

Caso Master supera 150 procedimentos no STF quase cinco meses após prisão de Vorcaro

PortalEdsonValerio/
Vorcaro vê propostas de delação rejeitadas no STF Reprodução PF/

O escândalo envolvendo o Banco Master já não está concentrado em uma única frente judicial. Quase cinco meses depois da nova prisão de Daniel Vorcaro, o material reunido no Supremo Tribunal Federal se espalha por inquéritos, pedidos de investigação, medidas cautelares, petições das defesas e decisões tomadas ao longo das diferentes fases da apuração.
Segundo levantamento publicado neste domingo, 2 de agosto, pela coluna Radar, da revista Veja, o gabinete do ministro André Mendonça já contabiliza mais de 150 procedimentos, entre inquéritos, petições e despachos ligados ao caso.
A quantidade continua aumentando conforme chegam novos relatórios, pedidos da Polícia Federal, manifestações da Procuradoria-Geral da República e recursos apresentados pelos investigados.
O dado ajuda a dimensionar o volume de trabalho, mas precisa ser interpretado com cautela. Um despacho é uma decisão ou determinação judicial; uma petição pode ser apenas um requerimento apresentado no processo. Assim, o total divulgado não corresponde a 150 acusações, crimes ou investigações autônomas.
Também não foi localizado, até agora, um painel público do STF que apresente a relação completa desses documentos. O número deve ser atribuído ao levantamento da publicação.
Prisão foi decretada por risco à apuração
Daniel Vorcaro foi preso preventivamente em 4 de março, na terceira fase da Operação Compliance Zero. A ordem partiu de André Mendonça, que apontou “risco concreto de interferência nas investigações”.
A medida foi posteriormente mantida por unanimidade pela Segunda Turma do STF.
Desde então, o ex-controlador do Banco Master permanece custodiado em Brasília, sem que a prisão represente condenação definitiva.
Foi a segunda vez que o empresário acabou detido no mesmo conjunto de apurações.
A primeira prisão ocorreu em novembro de 2025, durante a fase inicial da operação, mas ele foi solto ainda naquele mês mediante medidas cautelares.
Delação não avançou
Pouco depois de voltar à prisão, Vorcaro assinou um termo de confidencialidade com a Polícia Federal e a PGR. Esse documento abriu formalmente as conversas para uma possível colaboração premiada, mas não significava que o acordo já estivesse fechado ou que qualquer benefício tivesse sido concedido.
A primeira proposta foi recusada pela Polícia Federal em maio. Investigadores avaliaram que o conteúdo apresentado era superficial, continha lacunas e não entregava elementos suficientes para justificar uma negociação.
Uma nova versão chegou às autoridades no início de junho. Também não prosperou. A corporação entendeu que os relatos não traziam fatos inéditos acompanhados de provas capazes de sustentar os benefícios pretendidos pela defesa.
Dias depois, a Procuradoria-Geral da República igualmente rejeitou o material.
Segundo a apuração publicada pela Folha de S.Paulo, a avaliação foi de que faltavam informações novas, documentos de confirmação e um compromisso efetivo de devolução de valores.
Por isso, é mais preciso afirmar que as propostas foram consideradas insuficientes pelas autoridades, e não simplesmente que o empresário “falhou em dizer a verdade”.
A colaboração premiada depende da utilidade das informações, da apresentação de provas e da possibilidade de recuperar recursos ou alcançar outros responsáveis.
Uma futura tentativa não está juridicamente impedida. A defesa poderá apresentar novo conteúdo caso reúna informações consideradas relevantes pela PF e pela PGR.
Apuração alcançou parentes e antigos parceiros
Enquanto as conversas sobre colaboração esfriavam, o cerco avançou sobre pessoas ligadas ao núcleo familiar e empresarial de Vorcaro.
O pai, Henrique Moura Vorcaro, e o primo, Felipe Cançado Vorcaro, tiveram as prisões preventivas confirmadas pela Segunda Turma do STF em junho. Eles são investigados em desdobramentos da Operação Compliance Zero, mas ainda não foram julgados definitivamente.
O ex-presidente do Banco de Brasília, Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa, também foi preso em abril. A apuração investiga possíveis operações financeiras sem lastro envolvendo o BRB e o Banco Master, além da suspeita de pagamento de vantagens indevidas.
Em maio, outra fase autorizada por André Mendonça passou a examinar a suposta atuação do senador Ciro Nogueira em favor de interesses privados de Vorcaro. O parlamentar nega irregularidades.
Essas ramificações explicam por que o processo cresceu tão rapidamente. Cada novo núcleo pode exigir pedidos separados de busca, bloqueio de bens, acesso a dados, prisões, manifestações da acusação e respostas das defesas.
“Inquérito do fim do mundo” não é expressão oficial
Nos bastidores jurídicos e em publicações jornalísticas, o conjunto passou a ser chamado de “inquérito do fim do mundo”, expressão usada para retratar uma apuração com muitos personagens, fatos e ramificações. O termo, contudo, não é uma denominação adotada oficialmente pelo STF. Também não significa que exista um único inquérito ilimitado.
O que há é um conjunto crescente de procedimentos relacionados a suspeitas envolvendo o antigo comando do Banco Master, agentes públicos, empresários e operações financeiras.
O que ainda está em aberto
As autoridades continuam tentando identificar o caminho do dinheiro, a participação de cada investigado e a eventual conexão entre as diferentes frentes abertas no processo.
A multiplicação dos documentos mostra a dimensão alcançada pelo caso, mas as responsabilidades precisarão ser individualizadas.
Prisões preventivas, buscas e bloqueios patrimoniais são medidas cautelares. Não substituem julgamento nem autorizam tratar todos os citados como culpados.
A defesa de Daniel Vorcaro e os demais investigados poderão contestar as provas, apresentar versões e recorrer das decisões. O próximo passo dependerá da conclusão dos relatórios da Polícia Federal, da manifestação da PGR e das decisões tomadas pelo relator André Mendonça.




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