OAB-SP e OAB-PR criticam fala de Lula.
OAB cobra retratação após Lula dizer que criminalista “defende bandido”
Reprodução OAB cobra retratação após Lula dizer que criminalista “defende bandido”
Uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a atuação dos advogados criminalistas provocou reação da Ordem dos Advogados do Brasil e de entidades ligadas à área jurídica.
Durante entrevista ao podcast Inteligência Ltda., na quinta-feira, 30 de julho, Lula afirmou que não contratou um especialista em Direito Penal para defendê-lo nos processos da Lava Jato porque, segundo ele, “criminalista não sabe defender inocente” e “criminalista defende bandido”.
A fala ocorreu quando o presidente recordava a escolha de Cristiano Zanin, atualmente ministro do Supremo Tribunal Federal, para comandar sua defesa. Lula disse que sofreu pressão para substituir o advogado, mas manteve a decisão por acreditar que precisava provar sua inocência. As condenações contra o petista foram anuladas pelo STF em 2021.
OAB-SP fala em “preconceito inaceitável”
A OAB de São Paulo divulgou uma nota de repúdio na sexta-feira, 31 de julho, e classificou a declaração como um “preconceito inaceitável” contra a advocacia criminal.
A entidade ressaltou que o criminalista não defende a prática de crimes, mas atua para garantir o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa — direitos assegurados a qualquer pessoa submetida a uma investigação ou processo judicial.
Para a OAB-SP, a associação entre o profissional e a conduta atribuída ao cliente alimenta a desinformação e enfraquece o Estado Democrático de Direito, especialmente quando a afirmação parte do presidente da República. A Constituição Federal estabelece que o advogado é indispensável à administração da Justiça, dentro dos limites previstos em lei.
Conselho Federal pede retratação
Neste sábado, 1º de agosto, o presidente nacional da OAB, Beto Simonetti, também reagiu e afirmou esperar uma retratação pública de Lula.
Simonetti destacou que a defesa técnica é essencial para impedir que alguém seja investigado, processado, condenado ou privado da liberdade sem respeito às garantias previstas na Constituição.
A Associação Brasileira dos Advogados Criminalistas, a Abracrim, também classificou a declaração como estigmatizante e lembrou que esses profissionais atuam tanto na defesa de acusados quanto de inocentes, vítimas de abusos e pessoas vulneráveis.
OAB Paraná também critica declaração
A repercussão chegou ao Paraná. Em nota publicada neste sábado, a OAB-PR afirmou que a frase apresenta uma visão deturpada da profissão e reforça a ideia equivocada de que o advogado seria cúmplice das ações atribuídas ao cliente.
A seccional paranaense também destacou que nem todos os réus são culpados e que, se a condenação fosse presumida desde o início, o próprio processo e o direito de defesa perderiam sua finalidade.
Para a OAB-PR, a advocacia criminal protege garantias como a presunção de inocência, a ampla defesa e o devido processo legal, independentemente da popularidade do acusado ou da gravidade do crime investigado.
Fala ocorre às vésperas da convenção do PT
A entrevista foi concedida poucos dias antes da Convenção Nacional do PT, marcada para este domingo, 2 de agosto, às 10h, no Expo Center Norte, em São Paulo.
O encontro deverá oficializar a candidatura de Lula à reeleição, novamente com o vice-presidente Geraldo Alckmin na chapa.
As convenções partidárias podem ser realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto, período em que as legendas escolhem seus candidatos e formalizam alianças para as eleições de 2026.
Até a conclusão desta matéria, não havia sido divulgada uma retratação do presidente sobre a declaração.
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