Nunes Marques e André Mendonça assumem cúpula do TSE
Novo presidente do TSE assume com foco em neutralidade e combate ao mau uso da IA
O ministro Nunes Marques durante discurso de posse na presidência do TSE | Antônio Augusto/STF O ministro Nunes Marques assumiu, nesta terça-feira (12), a presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com um discurso focado no equilíbrio institucional e na preservação da liberdade de escolha do cidadão. Ao lado do ministro André Mendonça, que assumiu a vice-presidência, Marques terá a missão de conduzir o processo eleitoral de 2026.
Neutralidade e liberdade de expressão
Em seu discurso de posse, o magistrado enfatizou que a Justiça Eleitoral deve atuar como garantidora da democracia, sem interferir nas preferências políticas da população. "A neutralidade institucional é o que permite servir à liberdade política de todos", afirmou. Ele defendeu que o tribunal aja com prudência, evitando excessos, mas mantendo-se firme contra ameaças concretas ao processo democrático.
O alerta sobre a inteligência artificial
Um dos pontos centrais da nova gestão será o enfrentamento das tecnologias digitais. Nunes Marques destacou que, embora a IA tenha potencial benéfico, seu uso inadequado — como a disseminação deliberada de desinformação — representa um risco real.
“A disputa política já não se desenvolve apenas nas ruas, mas de maneira intensa no ambiente digital, atravessando algoritmos”, alertou o ministro.
Composição e continuidade
Nunes Marques sucede a ministra Cármen Lúcia.
A nova cúpula do TSE reflete as indicações feitas nos últimos anos ao Supremo Tribunal Federal, consolidando um perfil técnico para os próximos desafios da Corte.
O tribunal é composto por sete ministros: três do STF, dois do STJ e dois juristas nomeados pela Presidência da República.
Como relator das resoluções para 2026, Nunes Marques já vinha sinalizando um endurecimento das regras contra o uso abusivo de tecnologias em propagandas eleitorais, visando assegurar que o eleitor seja fielmente informado antes de chegar às urnas.
Esta cerimônia marcou o primeiro evento público em que Lula, David Alcolumbre e Jorge Messias estiveram juntos desde a derrota do Advogado Geral da União na disputa pela indicação ao STF, em 29 de abril. Integrantes do entorno do presidente avaliam que a rejeição ao nome de Messias foi articulada por Alcolumbre.
Mais cedo, Lula e o presidente do Senado poderiam ter se encontrado no lançamento do programa federal “Brasil Contra o Crime Organizado”, mas o senador não compareceu ao evento.
Já na cerimônia do TSE, Lula e Alcolumbre evitaram interações públicas e não se cumprimentaram diante das câmeras.
Segundo fontes, os dois tiveram um cumprimento formal reservado nos bastidores do evento.
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