Walber Guimarães Junior
A engenharia da FIFA para projetar os mata-mata.
Se já era difícil com trinta e duas seleções, um número que permitia arranjos muito mais confortáveis, agora com quarenta e oito, praticamente ninguém consegue entender as engrenagens que definem os caminhos de cada seleção até às 16 horas do dia 19 de julho para a grande final da Copa no MetLife Stadium em Nova Jersey, todavia existe um mapeamento que confere alguma previsibilidade, ainda que limitada à primeira prateleira da Copa.
Vamos traduzir a estratégia da FIFA para entender os cruzamentos depois da primeira fase; basicamente, a Copa foi dividida em quatro quadrantes de doze equipes em cada um deles, com flexibilidade variável para cada nível hierárquico, desta forma, as favoritas, alocadas nas cabeças de cada grupo, foram pré-definidas, usando o ranking da FIFA como referencial, e, exceto se não cumprirem o roteiro previsto, isto é se confirmarem o favoritismo e se mantiverem na liderança de seus grupos, seguirão em posições previsíveis até a semifinal da Copa.
As quatro seleções melhor ranqueadas que foram alocadas nos quadrantes, onde também funcionam como “cabeça de chave”.
Dessa forma, a Espanha, líder do ranking foi colocada do lado direito, com a Argentina, segunda classificada, do lado oposto, sendo seguidas pela França, que ficou do lado da Espanha e a Inglaterra, ranqueada seguinte do lado da Argentina, de tal forma que, se a lógica for mantida, com estas seleções conformando a liderança de seus grupos, como se o futebol fosse uma ciência exata, estas seriam exatamente as semifinais, com os vencedores decidindo o título na etapa seguinte, logo mantida o desenho inicial, Espanha x França e Argentina x Inglaterra decidiriam entre si as vagas para a final.
Na sequência, agora já sob efeito das bolinhas do sorteio, as demais seleções, por ranking e tradição, alocadas como cabeças de grupo, foram direcionadas para cada um dos quadrantes e, a partir daí, imprevisibilidade total por conta da aleatoriedade dos resultados e da distribuição, principalmente dos terceiros colocados.
O Brasil, cabeça do grupo 3, foi favorecido no sorteio e foi transferida para o quadrante da Inglaterra, o que projeta caminhos mais suaves nas fases seguintes, com Inglaterra ou Argentina projetadas para a semifinal e, se vencer este confronto, Espanha ou França na final.
Tudo bem desenhado até a bola rolar porque todos eles terão que confirmar em campo o desenho da FIFA, algo que o futebol não costuma respeita, mas que permite, excluídas as zebras e resultados imprevistos, projetar o caminho brasileiro até o sonhado hexa.
Na primeira fase eliminatória, onde se garantir o primeiro lugar do grupo, deverá enfrentar Holanda ou Japão, prováveis classificados do grupo F, com maior possibilidade de que o segundo colocado sejam os asiáticos, logo Brasil x Japão será nossa primeira partida eliminatória.
Nas etapas seguinte, as oitavas de final, três seleções se colocam no nosso horizonte; Noruega, Senegal e Equador, adversários difíceis, com previsão de jogos amarrados, mas ampla possibilidade de seguir em frente.
Nas quartas de final, que para a formatação da FIFA é a etapa de saída de cada quadrante, os favoritos devem enfrentar o adversário mais difícil de seu quadrante. Se conseguirmos chegar até aqui, o duelo mais provável é contra a Inglaterra, líder do nosso quadrante.
Superando os ingleses, um duelo épico nas semifinais, contra o vencedor de Argentina x Portugal que também devem se cruzar nas quartas. Repetindo; este roteiro pressupõe que os favoritos sigam fazendo a lição de casa.
Para encerrar, a disputa pelo hexa deverá ter Espanha ou França, que devem duelar na outra semi, como adversário no nosso caminho.
Com frieza, podemos projetar que o Brasil é favorito até as oitavas, porque enfrentaremos equipes com menos tradição, mas depois é só pedreira; Inglaterra, Argentina e Portugal são adversários na mesma prateleira atual do futebol brasileiro e, ainda que o equilíbrio seja evidente, vitórias brasileiras são plenamente possíveis.
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