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Maringá,01/05/2026

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Walber Guimarães Junior

Onde fica a saída?

Walber Guimarães Junior
Onde fica a saída?

Ainda que, quando consultados, apenas 60% dos brasileiros já tenham definido seu candidato para as eleições majoritárias nacionais, ninguém duvida de mais um pleito extremamente polarizado entre as duas pontas ideológicas, representadas pelo candidato à reeleição Lula e o candidato Flavio, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Mesmo com a flagrante demanda por uma terceira via, não há oferta consistente de alternativas reais.
No campo esquerdo, Lula não faz sombra para ninguém, disputa sozinho, mesmo com mais de 80 anos, porque nunca fez questão de programar um sucessor, simplesmente porque o seu personalismo o impele a tentar se manter no poder enquanto tiver lucidez.
No campo da direita, em retrato fiel do modelo fisiológico da nossa política, mesmo com vários governadores e nomes testados e aprovados, o líder maior, ainda que preso, optou por indicar seu filho, como se razões genéticas superassem a experiência e competência necessária para a missão.
Talvez você esteja imaginando que, como apenas as pontas do espectro ideológico estão representadas, é natural que surja um nome mais ao centro.
Erramos todos nós, mais a torcida do Flamengo e do Corinthians juntas.
Na esquerda, Lula ocupa todos os espaços e na direita se amontoam candidatos, todos de extrema, com a missão divina de garantir a anistia ao ex-presidente, como prioridade absoluta. Bem, se der tempo, fazer alguma coisa pelo Brasil.
É possível que muitos compareçam as urnas felizes, afinal se o pretendido golpe tivesse se consolidado, duas décadas seriam pouco para permitir uma nova escolha democrática, mas, para a parcela consciente e exigente da Nação brasileira, as alternativas, se submetidas à uma análise isenta, beiram à mediocridade, por razões diversas.
Iniciando a avaliação por Lula, candidato ao seu quarto mandato, o primeiro registro é relativo à sua idade, longe de apresentar uma leitura focada em etarismo, parece razoável perceber que um mandato presidencial exige agilidade mental e física rara em pessoas com esta idade. Joe Biden, em sua gestão nos EUA com a mesma idade, evidenciou o risco para o país nesta situação.
Ainda que Lula demonstre muito vigor físico, um mandato de quatro anos seria um desafio desnecessário para alguém que já exerceu doze anos de mandato.
As maiores preocupações com o Lula 4, todavia, se concentram na economia.
Mesmo com a economia com alguns números positivos, como inflação sob controle e desemprego no piso de duas décadas, a falta de controle fiscal apavora aqueles que olham à frente.
Lula conseguiu superar Dilma, que em cinco anos permitiu que a dívida pública aumentasse em 13%, porque, nesta gestão, em menos tempo, já subimos 14 pontos, atingindo 80% de comprometimento do PIB, com projeções preocupantes de bater nos 100% até 2028.
O argumento de que outros países têm percentuais ainda maiores não se sustenta pelo perfil de nossas contas, com os juros da dívida consumindo parte significativa de nossa arrecadação.
O exemplo chileno, do novo presidente José Antonio Kast, é muito salutar. Ainda na lua de mel de seu mandato, Kast lançou um projeto ousado de redução da dívida pública que vai impor sacrifícios, mas também permitirá alívio da carga tributária do setor produtivo, com expectativa de elevação da taxa de crescimento no médio prazo.
No caso brasileiro, o apego ao poder, impede que qualquer presidente faça o melhor para a Nação porque quase sempre isto entra em choque com o mais adequado para seu projeto político.
Um novo mandato de Lula, ainda que no próximo sua prioridade não seja a reeleição, vedada por lei, exigirá uma postura responsável na consistência da âncora fiscal, sem concessões para demagogia, ainda que revestida do apelo compreensível de prioridade aos pobres, porque bolsas ou auxílios não se sustentam com economia em derrocada, em especial com o globo em ebulição, com guerras insanas comprometendo insumos energéticos.
Outras preocupações, como o excesso de militância na política externa, podem gerar ambiguidade estratégica ou tensões com parceiros importantes, principalmente pela aproximação com países com baixa credibilidade democrática, além da falta de pulso para gerir tensões sociais que sempre resultam em indulgências que o tesouro nacional não mais sustenta.
O histórico recente gera intensa preocupação com o que seria o Brasil depois de mais quatro anos de Lula.
Do outro lado, nada que inspire confiança. Flavio Bolsonaro não tem nada a apresentar além de um sobrenome importante.
Sem nenhuma experiência administrativa, além da desastrosa e suspeita loja de chocolate, com vários mandatos parlamentares onde o maior destaque foram os assessores, localizados nas milícias ou no submundo do crime, com prática costumeira de rachadinhas, sob o controle rígido de Queirós, de triste ficha policial, cujo arquivamento exigiu uma postura deprimente de seu pai para salvar o filho das unhas da justiça.
Claro que a ascendência não pode, a princípio condenar ninguém, inclusive pela força que representa a liderança de seu pai, mas ao indicar que a prioridade número 1 é livrar o pai da cadeia, garantir anistia a todos, para, a seguir, ajustar as contas com o STF, parece indicar que a preocupação com a democracia e com ao arbítrio precisam permanecer latentes na memória do brasileiro.

Cuidar com esmero da pauta de costumes pode render votos e pode até, em vários aspectos, ser saudável para a maioria da população, mas definitivamente não chega nem perto de ser plano de governo. 
Outro fator crítico é o incompreensível desprezo de Flavio pela nossa autonomia, demonstrando subserviência absoluta à Trump, chegando a afirmar com todas as letras que, pelo apoio americano, entrega as Terras raras, das quais o Brasil possui 23% das reservas mundiais, embora só entregue 1% da produção atual, e todos sabem que a tecnologia futura passa pela obtenção destes minerais, como requisito para a liderança no setor.
Afirmo com segurança, que é muito mais provável que a economia esteja muito mais segura em eventual mandato de Flavio do que a nossa democracia, ou pelo menos nossa autonomia.
Importa também registrar que um mandato de Flavio provocará um realinhamento do Brasil com as agendas conservadoras, resultando em revisão das parcerias e, pelo menos no curto prazo, gerar tensões intensas com parceiros comerciais fundamentais para nossa balança.
O quadro sucessório só não é crítico porque ainda temos cinco meses até as eleições e as negociações políticas e a pressão econômica, sempre crucial nesta época, pode indicar caminhos mais lúcidos para ambos, todavia, é fácil perceber que uma avaliação isenta, aponta inúmeros desafios para a nossa credibilidade fiscal, nossa coerência política e nossa previsibilidade diplomática e, qualquer que seja o resultado, a previsível divisão do parlamento exigirá muito pragmatismo no jogo político, com negociações intensas para garantir a governabilidade e o histórico nos mostra que isto tem custado muito caro para nossas finanças. 
Não será fácil.
Enfrentaremos uma guerra eleitoral cruel, onde golpes baixos são esperados, onde as narrativas haverão de superar os fatos, com a demagogia vai se impor à realidade e certamente as bandeiras hasteadas pela visão dos marqueteiros, de longe, serão as únicas referências do próximo mandato.
É possível que rezar ajude, mas torcer para que Deus seja realmente brasileiro parece ser a nossa melhor saída.



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