Walber Guimarães Junior
Tertius gaudens ou o Poste do Ratinho?
Depois de longo tempo, a fumaça branca apareceu na chaminé do Palácio Iguaçu, com o governador Ratinho Junior definindo os nomes que terão o seu apoio nas eleições majoritárias paranaense e, recorrendo ao termo romano tertius gaudens, literalmente um terceiro se beneficia, e, entre Guto Silva e Alexandre Curi, o ungido foi o Secretário de Infraestrutura Sandro Alex.
Seria o poste do Ratinho?
Acredito que o termo chega a ser pejorativo quando endereçado ao Secretário Sandro Alex, dono de currículo ilustre, com ótima passagem pelo parlamento e com gestão com índices excelentes de aprovação na Infraestrutura, mas o histórico político brasileiro consolida esta referência sempre que um governante bem avaliado, aposta seu prestígio em nomes desconhecidos pra sua sucessão, sendo o Celso Pitta de Paulo Malluf ou a Dilma de Lula os exemplos mais notórios.
As teorias da conspiração já se apressam em criar um factóide absurdo; um eventual acordo branco de Ratinho Junior com Flavio Bolsonaro em favor do Senador Sergio Moro.
Todo e qualquer raciocínio lógico despreza esta possibilidade e, por simplificação, aponto apenas duas questões; a vocação profissional e anunciada de Moro de promover uma “revisão” das ações do atual governo, algo como uma mini lava jato em diversas questões do atual governo e, ainda mais relevante, o grupo da situação tem quase uma constelação de lideranças que, obviamente, não cabem no pacote reduzido que, eventualmente, pode acompanhar Moro em caso de vitória eleitoral.
A sabedoria política afirma que se entra na política por causa dos amigos e não se consegue sair por conta dos adversários, fato que ganha uma dimensão ainda maior quando se trata de um espaço de poder tão abrangente quanto o governo do Paraná, cujas teias abrigam um expressivo conjunto de lideranças que penduram suas equipes na estrutura e dependem da máquina pública para garantir permeabilidade de suas ações e tentáculos políticos.
São milhares de interesses, legítimos ou escusos, que dependem da proteção do guarda-chuva do poder estadual e uma troca de guarda, que represente alteração profunda no grupo do poder, algo relativamente raro em um país onde a reeleição é quase regra e onde até mesmo a alternância de poder, após a segunda gestão, é estatisticamente inferior a 40% de renovação.
Ratinho Junior, ainda que seu futuro lhe reserve o comando nacional do SBT, possibilidade em aberto no horizonte empresarial da família, tem idade e vocação para novos voos, sejam projetos regionais ou nacionais e, com os números consistentes de suas gestões, tem força para sustentar um forte legado político, raciocínio que elimina a hipótese de que qualquer resultado que não seja a vitória de seu candidato possa oferecer mais benefícios.
Em termos de estratégia, o governador precisa usar seu peso eleitoral para alavancar seu candidato em duas etapas, precisando virar a marca de 25% que, provavelmente, garante o ingresso no segundo turno, para encarar a etapa seguinte com mais pegada que a largada com índices muito baixos.
Não é tarefa fácil, mas nada que outros, até com aprovação inferior, não tenham obtido.
Uma das missões mais espinhosas é reduzir o vínculo entre a chapa nacional, com Flávio à frente, com a chapa estadual, igualmente pesada com o trio Sergio Moro, Deltan Dalagnol e Filipe Barros.
Lógico que o PL nacional conhece a força do grupo do poder no Paraná e o pragmatismo político pode indicar um apoio menos intenso que permita inclusive que Flavio frequente dois palanques no Paraná.
Com êxito na construção deste cenário, a etapa posterior indica duas frentes diversas de campanha com características bastante diversas.
Uma disputa nos grandes centros, onde as variáveis estão mais afetas ao quadro nacional e aos macro fatores eleitorais, com o palanque eletrônico e digital, principalmente este, sendo decisivo para a captura do exército de mais de 70% dos eleitores que não definiram ou admitem volatilidade no voto e a segunda frente, a ser disputada nas mais de trezentas cidades com população inferior a 30 mil habitantes, onde o peso das lideranças locais tem força para desequilibrar a balança eleitoral à favor do candidato de Ratinho.
Muito longe de estar definida, talvez se possa apenas afirmar que o Senador Sergio Moro tem vaga assegurada no segundo turno, que Sandro Alex, com o peso da máquina deve atingir dois dígitos em trinta dias e, possivelmente ultrapassar a barreira dos 20% até a convenção, mas é imprescindível perceber que também a candidatura de Requião Filho, destino certo da quase totalidade dos votos de esquerda, e a hipótese de Rafael Greca, de posse do maior patrimônio eleitoral da região metropolitana, são candidaturas consistentes que, em nenhuma hipótese, podem ser descartados, inclusive por somam insumos eleitorais, legendas, chapas, tempo e recursos razoáveis para uma boa campanha.
É bastante improvável que o tradicional quadro de polarização nacional se sustente no estado, exceto na hipótese, hoje remota, de Ratinho Junior conseguir convencer Rafael Greca de abandonar o projeto das majoritárias e se contentar com a presidência da Assembléia.
Tertius ou poste, não importa, mas esteja certo que a candidatura de Sandro Alex vai crescer na carona do prestígio da atual gestão.
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