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Maringá,22/05/2026

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OPINIÃO & OPINIÃO

Adeus, Vôlei. E Obrigado Pela Traição.

REPRODUÇÃO
Adeus, Vôlei. E Obrigado Pela Traição. Reprodução PMM

Maringá sempre teve uma relação curiosa com o esporte. Aqui, o vôlei não é apenas uma modalidade. É tradição. É arquibancada cheia em noite de semana. É criança sonhando em sacar como seus ídolos. É uma cidade que aprendeu há décadas a gostar da bola que voa por cima da rede muito antes de isso virar moda.
Por isso, a notícia da mudança do Sancor Seguros Vôlei para Londrina caiu como uma manchete de divórcio publicada sem aviso prévio. Daquelas em que você descobre pelas redes sociais que o relacionamento acabou e que seu ex já está de mãos dadas com outra cidade.
O comunicado foi elegante. Falou em gratidão, carinho, história e reconhecimento. Coisas bonitas. Tão bonitas que quase fizeram o torcedor esquecer que, no final das contas, o caminhão da mudança já estava estacionado na porta.
Durante cinco anos, Maringá lotou ginásios, apoiou o projeto, transformou o time em um dos maiores públicos da Superliga Feminina e ajudou a construir uma equipe respeitada nacionalmente. Mas bastou aparecer uma proposta mais atraente e pronto: trocaram o endereço do coração pelo CEP mais conveniente.
Claro, a culpa não pode ficar apenas do lado da quadra. A Prefeitura de Maringá também entra nessa partida com a impressionante habilidade de chegar atrasada para uma reunião que já terminou. Meses de negociação se passaram. O clube pediu estrutura, pediu garantias, pediu um aporte que, perto dos orçamentos milionários que circulam por aí, não parece exatamente uma missão espacial. A resposta veio em ritmo de saque lento. Quando a bola finalmente cruzou a rede, Londrina já havia fechado o ponto.
E Londrina? Bem, Londrina faz o papel daquele vizinho que vê a casa pronta, a grama cortada e a piscina cheia e resolve se mudar para dentro. Méritos pela mobilização, sem dúvida. Mas é importante lembrar que não está formando um projeto do zero, nem criando uma cultura histórica no voleibol feminino. Está recebendo uma equipe pronta, estruturada, consolidada, com torcida formada e identidade construída em outro lugar.
A tradição não cabe na carroceria do caminhão.
Ela ficou em Maringá.
Ficou nos ginásios lotados, nos aplausos, nas crianças que vestiam a camisa do time, nas famílias que transformaram os jogos em programa de fim de semana. Ficou na memória de uma cidade que abraçou o projeto quando ele precisava crescer.
Talvez Londrina ganhe jogos, patrocinadores e manchetes. Talvez até levante taças.
Mas algumas coisas não se transferem por contrato de três temporadas.
Não existe cláusula para comprar pertencimento.
Não existe naming rights para substituir história.
E não existe nota oficial capaz de convencer o torcedor maringaense de que ele não foi abandonado no meio da temporada da própria paixão.
No fim, a sensação é simples: Maringá treinou, investiu, apoiou, revelou, lotou ginásios e ajudou a construir o time.
Londrina recebeu as chaves.
E o torcedor maringaense ficou olhando a mudança pela janela, tentando entender como, mais uma vez, a cidade que ajudou a construir o espetáculo acabou assistindo ao último capítulo sem sequer ser consultada sobre o roteiro.

                                              kichutada Futebol Club 



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