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Maringá,14/05/2026

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OPINIÃO

Vorcaro entendeu o Brasil: pagou a todo mundo ao mesmo tempo

Arte/Metrópoles
Vorcaro entendeu o Brasil: pagou a todo mundo ao mesmo tempo Flavio e Vorcaro/

Sabe-se agora que, um dia antes da sua primeira prisão, Daniel Vorcaro recebeu a cobrança de uma dinheirama do senador Flávio Bolsonaro para financiar a hagiografia cinematográfica de Jair.
Já se sabia que, no dia da prisão, ele trocou mensagens com Alexandre de Moraes, algoz do ex-presidente, perguntando ao ministro do STF se ele havia “conseguido bloquear” possivelmente a cana que havia sido decretada.
Ao acionar o operador dos milhões dados a políticos e autoridades, Fabiano Zettel, cunhado cujos músculos são inversamente proporcionais aos escrúpulos, Vorcaro disse que os pagamentos ao filme dos Bolsonaro eram importantes e que não poderiam falhar mais — basicamente, termos idênticos foram usados por ele em relação à bufunfa envolvendo o resort do ministro Dias Toffoli e às mensalidades do contrato com o escritório de advocacia da mulher de Moraes.
Na tentativa de não ver desmoronar a sua pirâmide financeira bilionária, Vorcaro também proporcionou mesada, viagens de luxo e apartamentos esplendorosos ao senador Ciro Nogueira, expoente do Centrão, repassou montanhas de dinheiro a ex-ministros petistas e foi recebido pelo presidente Lula no Palácio do Planalto.
O banqueiro pagou a todo mundo ao mesmo tempo. Pagava pelo poder em exercício e pagava pela perspectiva de poder. É patético, portanto, que Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência da República com reais chances de ser eleito (pelo menos, até ontem) diga, em sua defesa, que “não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro”.
Você era uma aposta em um futuro provável, Flávio, e você sabe disso, assim como todos os demais implicados no financiamento da hagiografia cinematográfica do ex-presidente Bolsonaro. Tanto que, ao responder a uma mensagem de visualização única de Vorcaro, um dia antes da primeira prisão do sujeito, você disse: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”.
Vorcaro entendeu que, em Brasília, não há princípios ou ideologias. Existem interesses financeiros. Existe o patrimonialismo. Existe a cobiça (e existe a luxúria dela decorrente). Todo mundo é “merrmão”, desde que todo mundo esteja com os bolsos forrados de dinheiro.
O banqueiro, e estou sendo generoso ao tratar o estelionatário como tal, entendeu o Brasil sem precisar de sociologia ou de ciência política. O país não requer sofisticação intelectual para ser alcançado na sua falta de complexidade.
O dado extraordinário é que haja tantos que ainda não entendam o Brasil e continuem a achar que, em país tão evidente, existe gente menos ruim do que a outra à direita, à esquerda ou ao centro. Tantos que se submetam a ser massa de manobra dos cínicos da política e da imprensa.
É espantoso que se relute a aceitar a verdade de que todos os caminhos no Brasil levam ao esgoto. De que estamos todos perdidos em uma noite suja.
Texto de Mario Sabino/Colunista do Metrópoles



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