Fotos: Magnific/ Todo mundo sabe o que deveria fazer para manter o corpo e o coração saudáveis, desde não comer besteiras demais até controlar o estresse diário. No entanto, nos últimos anos, estudos têm indicado outra prática importante para manter o coração saudável: ser otimista.
De doenças coronárias a infarto do miocárdio: o otimismo está ligado a um menor risco de diversas doenças do coração e até de morte prematura.
E não é só para os otimistas de nascença: um estudo publicado na revista Cardiology Clinics mostrou que simples intervenções da chamada Psicologia Positiva são suficientes para o coração se beneficiar.
Práticas como treinamento de otimismo, práticas de mindfulness e gratidão estão entre exercícios que podem ajudar até um pessimista viver mais. O mindfulness (ou atenção plena) é uma prática mental que consiste em focar intencionalmente no momento presente, aceitando-o sem julgamentos.
O objetivo principal é sair do "piloto automático", reduzindo a ansiedade e o estresse.
Rosalba Hernandez — professora associada de serviço social na Universidade de Illinois — que comandou a pesquisa, afirma: “Não se trata de ignorar o estresse ou forçar as pessoas a se sentirem felizes o tempo todo. Trata-se de construir recursos emocionais”.
De acordo com o estudo, o mais importante é a constância: estar sempre praticando os exercícios é o que pode trazer benefícios à longo prazo. Voluntários que participaram do programa de rotinas diárias com sessões semanais tiveram os melhores resultados.
A psicologia positiva mostra que a saúde mental não é algo separado da saúde do coração.
Uma publicação oficial da Associação Americana do Coração mostrou que sentimentos negativos crônicos como depressão, ansiedade, estresse excessivo e pessimismo aumentam claramente o risco de infarto, derrame e morte por doenças cardíacas.
Por outro lado, estados psicológicos positivos como otimismo, senso de propósito e gratidão estão associados a menor risco cardiovascular e maior longevidade – e esses efeitos são comparáveis aos de fatores de risco tradicionais, como colesterol alto.
A declaração científica, publicada na revista Circulation, foi feita por um grupo de 12 cientistas e clínicos que pesquisaram na base de dados PubMed por estudos publicados até 2020 usando termos como "depressão", "ansiedade", "estresse", "otimismo", "gratidão", "meditação", "doença cardiovascular". Eles concordaram que, baseados nas descobertas, pacientes cardíacos devem ter sua saúde mental avaliada rotineiramente como parte do cuidado padrão.
Como ser mais positivo
Alan Rozanski, cardiologista comportamental e professor de medicina em Mont Sinai em Nova York, diz que a psicologia positiva é um processo de “notar” os pensamentos positivos, antes de qualquer coisa: para ela, o otimismo pode ser desenvolvido, embora algumas pessoas sejam naturalmente predispostas ao pessimismo.
“Trabalhe para cultivar um pouco de otimismo antes de buscar um grande otimismo. Existem muitos caminhos para se tornar mais otimista, e o objetivo é simplesmente começar por um deles”, afirma o cardiologista Alan Rozanski.
E você? Quer começar a ser mais positivo?
Mantenha um “diário da gratidão”: Não precisa ser todo dia, mas nem que seja uma vez por semana, escreva razões para gratidão em um caderno: desde uma comida gostosa, uma boa conversa ou um abraço, vale tudo.
Ou você pode optar pelo exercício das “três bençãos” de Martin Seligman, o criador da psicologia positiva: escreva, todos os dias, três razões para estar grato.
Meditação: A meditação com atenção plena é uma das mais estudadas e mais eficientes maneiras de reduzir o estresse de maneira natural. Embora o ideal sejam sessões de 20 a 45 minutos, o que você conseguir, diariamente, já é benéfico — nem que sejam cinco minutos.
Fuja de pensamentos negativos e catastróficos: é muito fácil pensar no pior ou imaginar o pior, é o que a maioria das pessoas fazem. Faça o contrário: quando você se ver pensando no “pior que pode acontecer”, subverta esse pensamento!
“O que é o melhor que pode acontecer?”. É óbvio que é preciso certo cuidado: a criação de expectativas muito altas também podem te levar a ser mais pessimista: crie objetivos realistas, mas bons.
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