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Luiz Felipe D'Ávila

UM ESTADO CRIMINOSO

Reprodução
UM ESTADO CRIMINOSO

Publicado na edição de quarta-feira, 31 de dezembro de 2025, no jornal O Estado de S. Paulo, o artigo “Um Estado criminoso”, assinado pelo cientista político Luiz Felipe d’Avila, apresenta uma crítica contundente ao funcionamento das instituições brasileiras, com ênfase na atuação do Supremo Tribunal Federal (STF), na condução do poder político e na erosão das garantias do Estado de Direito. O texto sustenta que práticas reiteradas de arbitrariedade, corrupção institucional e relativização da legalidade estariam conduzindo o país a um processo de degeneração democrática, impondo aos cidadãos, às vésperas de 2026, escolhas políticas decisivas.

Um Estado criminoso é aquele que confisca os bens dos cidadãos que trabalham cinco meses por ano para pagar a carga tributária mais alta entre os países emergentes e são obrigados a sustentar um Estado capturado por quadrilhas que roubam aposentados, locupletam estatais, criam privilégios – como os supersalários – e prestam serviços públicos de péssima qualidade.
Um Estado criminoso é aquele em que os membros da Suprema Corte utilizam decisões monocráticas para sepultar casos de corrupção e soltar corruptos e corruptores confessos e não se envergonham de proteger um banqueiro suspeito de gestão fraudulenta que é blindado por advogados com fortes vínculos familiares com membros da Suprema Corte para livrá-lo da cadeia.
Um Estado criminoso é aquele em que o Supremo Tribunal Federal (STF) passa por cima da Constituição e das leis para se tornar um tribunal de exceção, em nome do “saneamento da democracia”.
Quando os malfeitos dos Robespierres do STF são denunciados por um ex-assessor, ele se torna réu numa ação criminal. Este é o símbolo do que há de mais vil no Estado criminoso: o uso arbitrário do poder para intimidar e calar pessoas à revelia da lei; o desrespeito às liberdades individuais e o menosprezo às regras do Estado de Direito que distinguem uma nação livre e democrática de um país autoritário, governado por déspotas e populistas. A corrupção institucional do STF está espelhada na tentativa de criar barreiras para limitar o direito do Senado e do cidadão de abrir processos de impeachment contra membros da Corte. Trata-se de mais uma escandalosa violação da Constituição e da lei, mostrando que o STF não respeita mais os freios e contrapesos dos Poderes e o fundamento da democracia de que o poder emana do povo. Não
Um Estado criminoso é aquele que não consegue – por incompetência e safadeza política – empregar o seu poder para combater o crime organizado e a violência que aterrorizam a população.
A atitude ideológica de Lula ao afirmar que criminoso é vítima da sociedade e que traficante é vítima de usuário de drogas é um acinte aos cidadãos de bem e aos dados e evidências que mostram a escalada exponencial do poder e da influência do crime organizado nas entranhas do Estado, do mercado e da política.
Esse Estado criminoso não surgiu agora. Ele é fruto das nossas escolhas do mal menor.
A filósofa Hannah Arendt dizia que, quando escolhemos o mal menor, rapidamente esquecemos que escolhemos o mal. A escolha recorrente do mal menor nos levou a perder o senso de dever de participar da política, defender a democracia e zelar pela Constituição que limita o poder do Estado e salvaguarda as liberdades individuais. Abandonamos a régua moral de julgar o que é certo, bom e justo.
Rui Barbosa
retratou a degeneração moral da Nação: “de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o brasileiro chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
A escolha do mal menor criou uma elite conivente com políticos e juízes que governa o Estado criminoso e cultiva boas relações com os destruidores das instituições e da decência na vida pública. O mal menor propiciou o surgimento de uma sociedade civil apática e paralisada pelo cinismo político, cuja indignação só se manifesta em rede social e em conversas privadas.
O Estado criminoso só surgiu porque aqueles que podiam freá-lo nada fizeram.
Em 2026 teremos três escolhas: engajar, defender ou abandonar.
A primeira requer entrar no jogo.
Candidate-se ou mergulhe no apoio de uma candidatura e abandone esta atitude ridícula de se esconder atrás do compliance da empresa para justificar a sua omissão pública. A segunda demanda coragem. Defenda publicamente a verdade e os fatos.
Não fique calado quando ministros do STF violam a Constituição, o governo aprova medidas populistas que agravam a crise fiscal e o Congresso desvirtua o uso de emendas para fins eleitoreiros.
Denuncie o que está errado, mesmo que tenha de enfrentar as chantagens do Estado criminoso.
Se nenhuma dessas duas alternativas lhe apetece, mude de país. Você é inútil aqui, no Brasil.
Sim, é tempo de festas e deveríamos tratar de temas amenos. Mas esta época é uma boa oportunidade para nos lembrar da indignação de Jesus com o covil de ladrões que se apoderou do templo. Além das palavras duras, ele partiu para a ação; Jesus fez um chicote de cordas e expulsou os bandidos da casa do Pai.
O destino do País é fruto das nossas escolhas. Que a atitude de Jesus sirva de exemplo e de inspiração para transformarmos a nossa indignação em ações corajosas que colaborem para acabarmos com o covil de ladrões, populistas e usurpadores do poder que sequestraram os templos da Justiça, da política e das instituições e dilapidaram o Brasil.
**Em 2026 teremos três escolhas: engajar, candidatando-se ou apoiando uma candidatura; defender publicamente a verdade e os fatos; ou abandonar o País**

O autor é CIENTISTA POLÍTICO, AUTOR DO LIVRO 'VIRE À DIREITA, SIGA EM FRENTE', FOI CANDIDATO À PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Este comentário foi inicialmente apresentado no ESTADÃO, de onde o trouxemos com o devido crédito.



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