Paraná registra 3,6 mil tentativas. OAB orienta como evitar prejuízos
Golpe do falso advogado já provocou prejuízos em 806 casos no Paraná
Reprodução Golpe já provocou prejuízos em 806 casos no Paraná
Criminosos que se passam por advogados para receber pagamentos indevidos estão entre as preocupações da Polícia Civil e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Paraná.
Somente em 2026, a seccional paranaense da entidade contabilizou 3.600 registros de tentativas do chamado golpe do falso advogado, dos quais 806 resultaram em prejuízos financeiros. Os dados foram divulgados em setembro.
Em Maringá, a situação levou a OAB a ampliar as ações de orientação à população. Segundo informações da Delegacia de Estelionato divulgadas pela subseção local da Ordem, a cidade registra mais de 600 ocorrências anuais relacionadas à modalidade criminosa.
O golpe começa, geralmente, com uma mensagem pelo WhatsApp. O criminoso utiliza a fotografia de um advogado, o nome de um escritório e informações verdadeiras sobre uma ação judicial para convencer a vítima de que existe dinheiro disponível para recebimento.
Na sequência, informa que o pagamento depende de uma transferência antecipada para cobrir supostas taxas, impostos ou despesas processuais. O valor costuma ser solicitado por Pix, muitas vezes com a justificativa de que a liberação precisa ocorrer imediatamente.
A familiaridade com os dados apresentados torna a abordagem mais convincente. Isso porque informações de processos judiciais podem ser consultadas em sistemas públicos, permitindo que os golpistas conheçam o nome das partes, os advogados envolvidos e detalhes das ações.
Maringá recebeu campanha especial de prevenção
Diante do crescimento dos registros, a OAB Paraná realizou uma mobilização em Maringá nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, com participação do coordenador da Comissão de Inteligência e Combate ao Golpe do Falso Advogado, Leandro Pereira.
A programação incluiu reuniões com representantes da Justiça Federal, Prefeitura, Delegacia de Estelionato, Ministério Público, INSS e Procon, além de encontros com advogados e entrevistas à imprensa. A cidade também recebeu uma campanha com mensagens de orientação em painéis eletrônicos instalados em pontos de grande circulação.
De acordo com a OAB Paraná, os 3.600 registros contabilizados em 2026 representam um aumento superior a 70% em comparação com os 2.103 casos registrados durante todo o ano de 2025.
A entidade alerta que fotografias, nomes de escritórios e informações corretas sobre processos não comprovam a identidade de quem está enviando as mensagens.
Há ainda situações em que os criminosos utilizam recursos de inteligência artificial para reproduzir a voz ou a imagem de profissionais, dificultando a identificação da fraude.
Como identificar o golpe e evitar perder dinheiro
A Polícia Civil do Paraná e a OAB orientam que qualquer cobrança inesperada relacionada a processos judiciais seja verificada diretamente com o advogado contratado.
O principal cuidado é não utilizar o número de telefone enviado pelo próprio suspeito para confirmar a cobrança. A pessoa deve procurar o profissional por um contato que já conheça ou comparecer pessoalmente ao escritório.
Também é importante desconfiar de mensagens que anunciam a liberação imediata de indenizações, aposentadorias, precatórios ou outros valores judiciais mediante pagamento antecipado.
Os criminosos podem apresentar documentos com aparência oficial, símbolos de tribunais, informações processuais e até comprovantes falsificados. A orientação é não fornecer senhas, dados bancários ou informações pessoais sensíveis e evitar acessar links encaminhados por contatos desconhecidos.
Antes de qualquer transferência, o cliente deve confirmar a existência da cobrança, sua finalidade e os dados bancários do destinatário diretamente com o profissional responsável pelo processo.
O que fazer depois de cair no golpe
Quem realizou uma transferência deve procurar imediatamente o banco e informar a suspeita de fraude.
No caso de pagamentos por Pix, é possível solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento criado pelo Banco Central para tentar recuperar valores enviados em operações fraudulentas.
O pedido pode ser feito em até 80 dias após a transferência, mas a orientação é agir o mais rapidamente possível. A devolução não é garantida e depende da análise da fraude e da possibilidade de recuperar os recursos.
A Polícia Civil do Paraná recomenda registrar um boletim de ocorrência, presencialmente ou pela Delegacia Eletrônica, preservando mensagens, capturas de tela, comprovantes de pagamento e números telefônicos utilizados pelos golpistas.
A OAB Paraná também recebe denúncias de tentativas de fraude, inclusive quando não há prejuízo financeiro.
No Congresso Nacional, o Projeto de Lei nº 4.709/2025, aprovado pela Câmara dos Deputados, prevê medidas para combater o golpe do falso advogado e aumentar a segurança dos sistemas judiciais eletrônicos. A proposta permanece em tramitação no Senado Federal.
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