Flávio Bolsonaro denuncia fraude e desafia resultado das urnas.

Em carta divulgada nos EUA, Flávio Bolsonaro acusa STF de perseguição e pede cassação da chapa de Lula

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Flávio Bolsonaro denuncia fraude e desafia resultado das urnas. Reprodução

Flávio Bolsonaro denuncia fraude e desafia resultado das urnas

O senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (28), após chegar aos Estados Unidos, uma carta na qual rejeita a derrota nas eleições presidenciais, afirma ser o verdadeiro vencedor da disputa e acusa o Judiciário brasileiro de perseguição política. O documento foi divulgado por aliados do parlamentar, três dias depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil”, afirma Flávio na abertura da carta.

A declaração contraria o resultado oficial anunciado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no domingo (25).
Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro obteve 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

O senador sustenta que houve fraude na votação, mas não apresenta provas que comprovem a acusação. Também defende a cassação da chapa formada por Lula e pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, alegando abuso de poder político e econômico durante a campanha.

Senador questiona decisão que ampliou horário de votação

Um dos principais argumentos apresentados por Flávio envolve a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a ampliação do horário de votação no segundo turno, inicialmente até as 19h em todo o país.

A medida foi tomada após a campanha de Lula recorrer ao Supremo relatando dificuldades no transporte coletivo que poderiam impedir eleitores de chegar às seções eleitorais.

Posteriormente, Zanin esclareceu que a prorrogação deveria valer apenas nos locais onde as urnas ainda não haviam sido fechadas. Nas seções que encerraram a votação às 17h, os votos foram mantidos e totalizados normalmente.

Na carta, Flávio questiona a diferença de horários e afirma que eleitores foram submetidos a regras distintas. Para o senador, a decisão comprometeu a regularidade da disputa.

As alegações de fraude feitas pelo parlamentar não foram acompanhadas de elementos que comprovem adulteração dos resultados oficiais.

Viagem aos Estados Unidos ocorreu após restrições determinadas pelo STF

Flávio também dirige críticas ao ministro Alexandre de Moraes, responsável por medidas cautelares que determinaram a apreensão de seus passaportes e proibiram sua saída do Brasil.

As determinações foram adotadas após um pedido da Polícia Federal, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. Os passaportes brasileiros do senador foram cancelados, e ele foi intimado a entregar eventuais documentos estrangeiros, o que, segundo a PF, não ocorreu no prazo estabelecido.

O parlamentar deixou o território brasileiro na noite de terça-feira (27), pela fronteira com a Argentina, acompanhado da família. Depois de uma escala no Equador, chegou aos Estados Unidos nesta quarta-feira.

Em comunicado, a Polícia Federal informou não ter localizado registro oficial da saída do senador nos postos migratórios brasileiros. A corporação também esclareceu que as restrições impostas aos documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam a condição jurídica de foragido.

Na carta, Flávio nega ter cometido qualquer crime, considera as medidas uma tentativa de intimidação e descreve a atuação do Judiciário como um “manual clássico de qualquer golpe de Estado”. Essas declarações representam a versão do senador sobre as decisões judiciais.

Flávio agradece Trump e Milei e anuncia atuação no exterior

O documento também contém agradecimentos ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e ao presidente da Argentina, Javier Milei, pelo apoio e acolhimento durante sua saída do Brasil.

Flávio afirma que permanecerá politicamente ativo mesmo fora do território brasileiro. Segundo ele, a intenção é manter contato com seus eleitores e organizar a atuação da oposição ao governo Lula. O senador também faz críticas ao Supremo Tribunal Federal e sustenta que adversários do governo estariam sendo perseguidos por suas posições políticas.

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