Presidente da Multi defende fim da escala 6×1.
Dono da antiga Multilaser diz que tecnologia torna escala 6×1 cada vez menos justificável
Alexandre Ostrowiecki/ Divulgação Multilaser O avanço da inteligência artificial e da robótica está no centro de um argumento pouco comum no debate empresarial sobre jornada de trabalho.
Alexandre Ostrowiecki, presidente do conselho de administração da Multi, antiga Multilaser, defende o fim da escala 6×1, na qual o trabalhador atua durante seis dias e folga um.
Em entrevista publicada pela Folha de S.Paulo o empresário reconheceu que a mudança poderia aumentar custos das empresas e provocar algum repasse aos preços. Mesmo assim, afirmou que considera justificável ampliar o descanso semanal.
“Existe, sim, um custo econômico na mudança, e parte dele pode chegar ao preço. Mas não acredito em demissões em massa”, declarou.
Empresário relaciona tecnologia à redução da jornada
Na avaliação de Alexandre Ostrowiecki, o crescimento da automação, da inteligência artificial e da robótica deveria permitir uma organização do trabalho que ofereça dois dias de descanso por semana a uma parcela maior dos trabalhadores.
Ele argumenta que empresas podem se adaptar à mudança da mesma forma que fizeram diante de outras alterações nas relações trabalhistas ao longo da história.
O empresário também relativizou o impacto econômico da redução da jornada ao comparar esse custo com outros fatores que, segundo ele, prejudicam a competitividade brasileira, como burocracia, tributação sobre o consumo e juros elevados.
“Quem se preocupa com a competitividade do país deveria começar cortando os privilégios do Estado, não o descanso do trabalhador”, afirmou.
A manifestação representa a posição de Alexandre Ostrowiecki no debate. Ele não anunciou mudança na escala de trabalho da Multi nem apresentou estimativa sobre o impacto financeiro que uma eventual alteração teria sobre a companhia.
Reforma administrativa também entra na pauta
Ao tratar das contas públicas, Alexandre Ostrowiecki defendeu que o governo que assumirá em 2027 avance em mudanças estruturais.
Entre as medidas citadas pelo empresário estão reforma administrativa, revisão de privilégios e desvinculação de despesas públicas.
Na avaliação dele, o crescimento das despesas do governo contribui para o desequilíbrio fiscal e mantém pressão sobre os juros, com efeitos sobre empresas e consumidores.
Juros preocupam empresa nas vendas a prazo
Na Multi, que atua com eletrônicos, acessórios de informática e eletroportáteis, Ostrowiecki afirmou que o cenário de juros elevados também influencia a administração do risco de crédito.
Segundo ele, a companhia utiliza seguro nas vendas, controle dos valores a receber e diversificação dos canais de distribuição para reduzir a exposição à inadimplência.
A empresa também busca oferecer produtos adequados ao orçamento de consumidores endividados.
“Mas não existe engenharia comercial que compense juro de agiota por muito tempo”, afirmou o empresário.
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