Rede estadual amplia aprendizagem para estudantes cegos
Reprodução Seed-PR Como compreender a curva de uma parábola, localizar um ponto em um gráfico ou identificar os ângulos de um triângulo sem enxergar aquilo que é apresentado no quadro?
Para estudantes cegos da rede estadual do Paraná, diferentes recursos pedagógicos ajudam a tornar esses conceitos acessíveis. Entre eles está o Multiplano, material composto por pinos, elásticos, placas perfuradas e peças em relevo que permite representar conceitos matemáticos geralmente apresentados de forma visual.
A Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR) distribuiu 120 kits Multiplano para Salas de Recursos Multifuncionais (SRM) e Centros de Atendimento Educacional Especializado.
O material é um dos recursos utilizados para apoiar a aprendizagem de conceitos matemáticos abstratos e integra uma estrutura mais ampla de atendimento a aproximadamente 2.430 estudantes com baixa visão e 172 com cegueira matriculados na rede estadual.
“Quando falamos em inclusão, não estamos falando apenas em abrir a porta da escola. Nosso compromisso é garantir que cada estudante tenha condições de aprender, participar da vida escolar e desenvolver suas potencialidades com autonomia e dignidade. É isso que transforma acesso em pertencimento”, afirma o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda.
MATEMÁTICA NA PONTA DOS DEDOS - O Multiplano possibilita transformar representações matemáticas em construções táteis. Em uma placa perfurada, pinos, elásticos e hastes permitem montar figuras geométricas, gráficos e planos cartesianos.
O kit também inclui uma placa circular que pode ser utilizada no estudo de ângulos e trigonometria, além de peças identificadas em Braille.
O recurso pode ser usado para o estudo de operações e frações até conteúdos mais complexos, como funções, sistemas de equações, geometria plana e espacial, estatística, gráficos e trigonometria.
Nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio, o Multiplano amplia as possibilidades de representação de conceitos que exigem outros recursos além dos tradicionalmente utilizados nos anos iniciais, como o Soroban, ábaco de origem japonesa empregado principalmente para cálculos.
“O princípio é muito importante: não mudamos o que o estudante tem direito de aprender. Mudamos a forma de acesso a esse conhecimento.
Se o conteúdo é um gráfico, uma função ou uma figura geométrica, precisamos oferecer os recursos para que o estudante possa compreender esse mesmo conceito por outras formas de percepção”, diz Claudia Camargo Saldanha, coordenadora pedagógica de Educação Especial do Departamento de Educação Inclusiva (Dein) da Seed-PR.
A orientação pedagógica é para que alunos com deficiência visual tenham acesso aos mesmos conteúdos propostos aos demais colegas, com recursos adequados às suas necessidades.
Materiais concretos são uma das estratégias utilizadas para apoiar a compreensão de conceitos abstratos.
APRENDIZADO E AUTONOMIA - O atendimento aos estudantes com deficiência visual, porém, vai muito além da Matemática.
A rede estadual trabalha com programas que abrangem o ensino do sistema Braille; Práticas Educativas para uma Vida Independente; orientação e mobilidade; e informática educacional acessível e tecnologias assistivas.
Entre as ações, estão o uso da bengala longa, leitores de tela e de celulares, computadores acessíveis para leitura e escrita. Também incluem aprendizagens do cotidiano, como alimentação, higiene, organização pessoal e outras atividades necessárias para ampliar a independência do estudante.
“Educação inclusiva precisa olhar para o estudante por inteiro. Aprender Braille e Matemática é fundamental, mas também são importantes a autonomia para circular, cuidar de si, usar uma tecnologia e participar da escola. O objetivo é dar condições para que esse aluno faça escolhas e construa sua trajetória com cada vez mais independência”, explica Maíra de Oliveira, chefe do Departamento de Educação Inclusiva da Seed-PR.
A rede conta com 96 Salas de Recursos Multifuncionais, distribuídas em 67 escolas estaduais. Nesses espaços, o Atendimento Educacional Especializado complementa o trabalho realizado na classe comum, de acordo com as necessidades de cada estudante. A estrutura inclui, ainda, cinco Centros de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAPs), nas regiões de Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Francisco Beltrão.
Os centros atuam na formação de professores, produção de livros e materiais acessíveis, desenvolvimento e pesquisa de tecnologias e orientação às famílias, além de apoiar o trabalho pedagógico realizado nas escolas.
ACESSO E PERTENCIMENTO - Para Ricardo Lima, que coordena os programas voltados a alunos com deficiência visual, os avanços das últimas décadas colocaram um novo desafio para a educação inclusiva. A presença de estudantes com deficiência na escola comum tornou-se uma realidade muito mais frequente.
“A gente avançou muito na barreira do acesso. O próximo passo é o pertencimento. O estudante não pode ser visto como alguém à parte da turma. Ele precisa aprender, participar das atividades, estar no grêmio, na festa, na formatura, fazer parte daquela escola como qualquer outro estudante”, aponta.
O mesmo princípio chega às avaliações. Na Prova Paraná, estudantes com deficiência visual têm acesso a recursos como provas em Braille, ampliadas e superampliadas.
O conteúdo e os objetivos de aprendizagem são mantidos, enquanto a forma de apresentação é adequada às diferentes necessidades.
Claudia Camargo Saldanha, coordenadora pedagógica de Educação Especial do Departamento de Educação Inclusiva (Dein), fala sobre este assunto no áudio abaixo.
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