Golpes com famosos se multiplicam na internet

Criminosos usam Drauzio Varella, Paolla Oliveira e outros famosos para enganar usuários na internet

#NetLab/AnselmoGóes/PortalEdsonValerio.com.br
Golpes com famosos se multiplicam na internet Drauzio Varella — Foto: Marco Ankosqui / O Globo

O rosto é conhecido, a voz parece verdadeira e o vídeo muitas vezes tem aparência profissional.

Mas a pessoa famosa que aparece recomendando aquele produto pode nunca ter gravado uma única palavra da propaganda.

O uso de inteligência artificial para produzir vídeos, imagens e áudios falsos transformou personalidades brasileiras em ferramentas para golpes na internet.

Entre os alvos estão médicos, apresentadores, atores, cantores e influenciadores.

Um levantamento atribuído ao Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais da UFRJ (NetLab) identificou cerca de 7.970 anúncios utilizando indevidamente nomes e imagens de pessoas conhecidas entre agosto de 2025 e julho de 2026.

O médico Drauzio Varella aparece como uma das principais vítimas, especialmente em propagandas relacionadas a supostos tratamentos de saúde.

Drauzio é usado para vender falsas soluções de saúde

Não é um problema novo para o médico.

Pesquisas anteriores do próprio NetLab já haviam identificado milhares de anúncios fraudulentos utilizando Drauzio para dar credibilidade a produtos e tratamentos sem comprovação.

Em um levantamento publicado em 2025, foram encontrados 3.710 anúncios fraudulentos com a imagem do médico somente entre julho e dezembro de 2024.

As propagandas costumam explorar temas nos quais existe grande procura por soluções rápidas, como diabetes, emagrecimento, rejuvenescimento e doenças crônicas.

Com inteligência artificial, criminosos conseguem alterar voz e imagem para produzir vídeos nos quais parece que o médico está recomendando determinado produto. Na realidade, a recomendação nunca existiu.
Paolla Oliveira virou alvo de pornografia falsa

O uso abusivo da tecnologia vai muito além de golpes comerciais.

A atriz Paolla Oliveira tornou-se alvo recorrente da produção de conteúdo sexual falso.

Pesquisa do NetLab identificou 198 anúncios utilizando indevidamente a imagem da atriz em pouco mais de três meses.

Desse total, 191 direcionavam usuários para grupos em aplicativos de mensagens, onde eram oferecidos centenas de vídeos pornográficos falsos produzidos com inteligência artificial.

A própria atriz já relatou publicamente o impacto de receber um vídeo sexual manipulado com seu rosto.

Outras mulheres conhecidas também aparecem em levantamentos relacionados a esse tipo de conteúdo.


Deepfake ficou mais fácil e barato de produzir

A evolução da inteligência artificial reduziu drasticamente a dificuldade para produzir uma falsificação convincente.

O que antes exigia softwares sofisticados e conhecimento técnico pode hoje ser realizado com ferramentas disponíveis pela internet.

Com algumas fotografias, trechos de vídeo ou amostras de voz, sistemas de IA conseguem produzir material no qual uma pessoa parece falar algo que nunca falou ou participar de uma situação que nunca aconteceu.

Quando o resultado tem aparência suficientemente realista para enganar o público, esse tipo de manipulação é normalmente chamado de deepfake.

O problema aumenta quando o conteúdo falso é impulsionado como publicidade, alcançando milhares de pessoas que podem acreditar estar diante de um anúncio verdadeiro.

Eleições colocaram discussão no centro do debate

A preocupação ganhou ainda mais espaço com o início da campanha eleitoral de 2026.

O vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro André Mendonça, apresentou nesta semana critérios para ajudar a Justiça Eleitoral a diferenciar uma produção comum com inteligência artificial de uma deepfake capaz de confundir o eleitor.

Pela proposta, o grau de realismo e capacidade de fazer o público acreditar que está diante de um registro verdadeiro deverá ser um dos pontos analisados. A discussão será submetida ao plenário do TSE.

As regras eleitorais já proíbem a utilização de deepfakes para beneficiar ou prejudicar candidaturas.

Golpe pode estar atrás de uma imagem conhecida

Para o usuário, o principal cuidado é simples: o fato de uma pessoa famosa aparecer em um vídeo não significa mais que ela realmente participou daquela gravação.

Desconfiança deve ser maior quando a publicidade apresenta:
cura rápida ou milagrosa;
produto supostamente recomendado por médicos famosos;
oferta com pressão para compra imediata;
link direcionando para WhatsApp ou grupos fechados;
vídeos íntimos atribuídos a celebridades;
voz ou movimento facial que parecem ligeiramente artificiais.

Em caso de dúvida, o ideal é procurar os canais oficiais da pessoa ou instituição mencionada antes de comprar, compartilhar ou fornecer informações pessoais. A inteligência artificial tornou possível criar conteúdos impressionantes.












































Mas tornou também cada vez mais difícil acreditar apenas no que os olhos veem e os ouvidos escutam.




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