OPINIÃO & OPINIÃO

Matar por ciúme não é banal

REPRODUÇÃO
Matar por ciúme não é banal

O procurador Antônio Carlos da Ponte considerou na prova do ministério publico que o ciúme de um homem que mata a ex-mulher grávida é motivo fútil.
Sabe o que ê motivo fútil?
É briga de bar. É matar um estranho numa discussão de futebol.
O motorista se irrita no transito saca a arma e mata. Isso é motivo fútil.
Quando um homem mata pra impedir a ex de ficar com outro age por posse, por que considera a mulher sua propriedade.
Isso não é banal.
A menos que considerem a vida de uma mulher algo insignificante.
Neste momento promotores e promotoras, estão escandalizados com a prova e se fazem uma pergunta: advogados de feminicidas vão poder pedir a anulação de denúncias?
Afinal, se o ministério público nega a existência de feminicídio num exemplo contundente desse crime, por que o meu cliente tem que ser condenado?
Promotor de justiça não é roteirista de novela. Não trata de ficção.
Trata de crimes reais, na vida real. E isso tem impacto nos tribunais.
Se esse entendimento prevalecer, vamos retroceder várias décadas no combate a violência contra mulher.

Adriana Araújo
Apresentadora de TV



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