Registro que embasou prisão era falso,

“E agora, Moraes?”: Justiça dos EUA confirma problema em registro usado contra Filipe Martins

CorteAmericana/NY.TIMES/PortalEdsonValerio
Registro que embasou prisão era falso, Reprodução PEV/ IA

Um registro de imigração dos Estados Unidos que indicava uma suposta entrada de Filipe Martins no país e que foi considerado no processo que levou à prisão preventiva do ex-assessor de Jair Bolsonaro voltou ao centro da controvérsia judicial.

O juiz federal americano Gregory A. Presnell concluiu que o registro era falso e determinou que autoridades dos Estados Unidos apresentem documentos capazes de esclarecer como a informação foi inserida no sistema e quem teria sido responsável pelo lançamento.

O dado apontava que Martins teria entrado nos Estados Unidos em 30 de outubro de 2022, mesma data da viagem de Jair Bolsonaro para Orlando.
Registro foi usado no processo que levou à prisão
Em fevereiro de 2024, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), utilizou a informação relacionada à suposta viagem como um dos elementos para determinar a prisão preventiva de Filipe Martins.
Na ocasião, havia a suspeita de que o ex-assessor pudesse ter deixado o Brasil e existiria risco de fuga.
Martins acabou permanecendo quase seis meses preso.
Ao longo do processo, porém, sua defesa sustentou que ele não havia entrado nos Estados Unidos na data registrada pelo sistema americano.

Defesa provou que Martins estava no Brasil

Entre os elementos apresentados pelos advogados estava a comprovação de que Filipe Martins realizou um voo doméstico no Brasil no dia seguinte à data em que, segundo o registro americano, ele teria entrado nos Estados Unidos.

A defesa passou então a contestar diretamente a autenticidade e a origem da informação migratória.

O caso ganhou uma nova dimensão quando as próprias autoridades americanas reconheceram problemas no registro.

EUA reconheceu que entrada não aconteceu

Em outubro de 2025, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos, a CBP, reconheceu que Filipe Martins não havia entrado no país em 30 de outubro de 2022, contrariando o que constava no sistema.
A informação utilizada anteriormente no processo brasileiro, portanto, estava errada.

Agora, a discussão nos Estados Unidos avança para outro ponto: como esse dado apareceu no sistema oficial.

Juiz cobra explicações das autoridades americanas

Durante audiência realizada em março, o juiz Gregory A. Presnell criticou as autoridades americanas por reconhecerem a falsidade do registro e, ainda assim, resistirem em revelar as circunstâncias em que a informação foi criada.
O magistrado determinou que a CBP entregue documentos relacionados ao caso, buscando esclarecer a origem do lançamento e identificar eventuais responsáveis.
A decisão amplia a pressão por respostas sobre um dado que teve repercussão direta em uma investigação conduzida no Brasil.

Prisão de Filipe Martins em debate
A confirmação de que o registro migratório era falso reacende a discussão sobre o peso que aquela informação teve na decisão que determinou a prisão preventiva do ex-assessor.
O ponto central agora é saber como um dado incorreto foi parar em um sistema oficial americano e de que maneira chegou às autoridades brasileiras.
A apuração nos Estados Unidos deverá esclarecer se houve erro administrativo, inserção indevida ou outra circunstância responsável pela criação do registro.
No Brasil, o episódio volta a colocar sob análise os fundamentos utilizados no momento em que Filipe Martins teve a prisão preventiva decretada.




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