Mendonça mantém investigação sobre Lulinha.
PGR questiona competência do STF, mas inquérito permanece com André Mendonça
Reprodução InvestiBrasil O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), deverá manter sob sua relatoria as investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, apesar de a Procuradoria-Geral da República (PGR) ter defendido o envio do caso para a primeira instância.
A informação sobre a manutenção dos inquéritos no Supremo foi divulgada nesta quinta-feira (20) pelo SBT News. Segundo a apuração, o entendimento no gabinete de Mendonça é de que há pessoas com foro privilegiado citadas nas conversas analisadas durante as investigações. O gabinete do ministro não comentou oficialmente o assunto.
A posição diverge da manifestação apresentada pela PGR.
PGR diz que caso deveria deixar o Supremo
A Procuradoria-Geral da República pediu que um dos inquéritos envolvendo Lulinha fosse remetido à primeira instância da Justiça.
Para a PGR, não existem elementos indicando a participação de pessoas com foro privilegiado que justifiquem a competência do Supremo. O órgão também apontou a inexistência de provas de recebimento de recursos desviados do esquema investigado no INSS.
Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, é investigado em apurações conduzidas pela Polícia Federal relacionadas a suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais.
Negociação envolvia medicamentos à base de canabidiol
Uma das frentes da investigação examina tratativas para tentar viabilizar um projeto envolvendo a venda de medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde.
O nome de Lulinha apareceu na apuração a partir de sua relação com a lobista Roberta Luchsinger.
Segundo diálogos analisados pela Polícia Federal e revelados pela imprensa, Roberta teria afirmado durante as negociações que falava em nome de Fábio Luís e buscava uma remuneração de 20% relacionada ao eventual negócio.
As investigações apuram se houve tentativa de tráfico de influência e outras irregularidades nas tratativas.
Projeto não chegou a ser contratado pelo Ministério da Saúde
Roberta também teria encaminhado uma minuta de contrato envolvendo o fornecimento de medicamentos ao Ministério da Saúde.
O documento chegou ao ex-chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola. Ele confirmou ter recebido a minuta, mas afirmou que não a encaminhou a integrantes do governo.
A negociação não prosperou e a compra não foi realizada, segundo as informações já divulgadas sobre o caso.
Defesa nega irregularidades e questiona investigação
A defesa de Lulinha nega que ele tenha cometido qualquer irregularidade.
O advogado Marco Aurélio Carvalho também comemorou a manifestação da PGR favorável à saída do processo do STF e afirma que não há autoridade com foro privilegiado, utilização de verba pública ou vínculo direto ou indireto de Lulinha com as fraudes investigadas no INSS.
A defesa também vem criticando a divulgação de informações das investigações e sustenta que os vazamentos teriam motivações políticas e eleitorais.
As apurações continuam e não há condenação dos investigados pelos fatos sob investigação.
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