Claudinei Silva - Terapeuta
Abuso psicológico no relacionamento: os sinais que não deixam marcas no corpo
Nem todo abuso dentro de um relacionamento deixa marcas visíveis.
Algumas das feridas mais profundas são construídas por palavras, ameaças, humilhações, controle e manipulações repetidas durante meses ou anos.
E justamente por não existir agressão física, muitas pessoas demoram para perceber que estão vivendo uma relação abusiva.
Um primeiro sinal de alerta é começar a ter medo da reação do parceiro.
Você pensa várias vezes antes de falar, muda comportamentos para evitar conflitos e sente que precisa medir cada palavra para manter a paz.
Outro sinal é duvidar constantemente de si mesmo.
O parceiro distorce conversas, nega acontecimentos, minimiza aquilo que você sentiu ou faz você acreditar que está exagerando.
Aos poucos, você deixa de confiar na própria percepção.
Também merece atenção o controle disfarçado de preocupação: querer saber onde você está o tempo inteiro, controlar dinheiro, roupas, amizades, redes sociais ou dificultar seu contato com familiares.
Cuidado aproxima. Controle reduz liberdade.
Existe ainda a desvalorização constante. Piadas que humilham, comparações, críticas à aparência, inteligência ou capacidade.
Quando você reclama, ouve que “não sabe brincar”, que é sensível demais ou que entendeu tudo errado.
E talvez um dos sinais mais perigosos seja perceber que você está deixando de ser quem era para conseguir permanecer naquela relação.
Fala menos, encontra menos pessoas, abandona interesses e passa grande parte do tempo tentando não desagradar.
O problema é que o cérebro se adapta. Aquilo que causaria estranhamento no início pode se tornar parte da rotina quando acontece repetidamente.
A pessoa começa a sobreviver dentro daquele ambiente e pode até confundir momentos de tranquilidade com a ideia de que o relacionamento melhorou.
Reconhecer esses sinais não significa que você precise enfrentar a situação sozinho.
Procure alguém de confiança e evite o isolamento.
Apoio psicológico pode ajudar a compreender a dinâmica da relação e recuperar autonomia.
Quando houver ameaça, perseguição, violência, controle severo ou medo pela própria segurança, procure também os serviços públicos e autoridades responsáveis pela proteção.
No Brasil, mulheres em situação de violência podem buscar orientação pelo Ligue 180.
Em uma situação de emergência ou risco imediato, acione a Polícia Militar pelo 190.
A principal reflexão que deve fazer:
“Eu consigo ser quem sou dentro desse relacionamento ou estou aprendendo a ser quem preciso ser para não provocar a reação do outro?”
Amor pode exigir diálogo, negociação e mudança.
Medo não deveria ser o preço para permanecer em uma relação.
Nei Silva
Terapeuta e Mentor
www.institutoneisilva.com.br
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