Claudinei Silva - Terapeuta

Sua esposa não precisa apenas que você esteja presente.

Ela precisa não se sentir sozinha na responsabilidade.

Reprodução/Autor
Sua esposa não precisa apenas que você esteja presente.

Quando nasce uma criança, não nasce apenas uma mãe.
Nasce também uma quantidade enorme de responsabilidades que alguém precisa perceber.
Quando o bebê mamou?
Quando é a próxima consulta?
Tem fralda?
Ele está dormindo direito?
Essa reação é normal?
Quem vai acordar durante a madrugada?
E existe uma diferença enorme entre ajudar quando alguém pede e assumir que aquela responsabilidade também é sua.

Um estudo publicado recentemente acompanhou mais de 1.500 mães e suas famílias e encontrou algo que merece nossa atenção: a percepção da mulher sobre sua própria capacidade de cuidar do filho apresentou uma relação de mão dupla com sintomas depressivos.
Quanto menor essa sensação de competência, maiores poderiam ser os sintomas posteriormente; e os próprios sintomas também estavam associados à redução dessa percepção de competência.

Outro dado chama atenção: o problema não necessariamente desaparece quando termina aquilo que costumamos chamar de pós-parto.
Aos 24 meses, mais de um terço das mulheres analisadas ainda apresentava níveis elevados de sintomas depressivos.
Os pesquisadores defendem, inclusive, acompanhamento para além do primeiro ano da criança.
Mas existe um ponto dessa pesquisa que quero trazer especialmente para os homens.
O suporte percebido do parceiro apareceu como um importante fator protetor.
E suporte, segundo os pesquisadores, não significa simplesmente estar fisicamente presente.
Envolve participar dos cuidados com o bebê, oferecer acolhimento emocional e assumir ajuda prática.
É aqui que muitos homens podem estar confundindo presença com participação.
“Eu trabalho.”
“Não deixo faltar nada.”
“Se ela pedir, eu faço.”
“Estou sempre aqui.”
Tudo isso pode ser verdadeiro.
Mas se sua esposa precisa perceber o problema, pensar na solução, organizar o que precisa ser feito e depois pedir para você executar, ela continua sendo a responsável por administrar aquilo.
Você participou da tarefa. Ela continuou carregando a responsabilidade.
Isso não significa responsabilizar o homem pela depressão da mulher.
Depressão pós-parto é uma condição complexa, e o próprio estudo aponta para uma dinâmica que envolve diferentes fatores.
O parceiro também pode estar sobrecarregado e atravessando sua própria adaptação à paternidade.
Mas existe algo que um homem pode fazer: parar de esperar instruções para começar a participar.
Perceber que ela não dormiu e assumir parte da madrugada.
Saber quando é a consulta sem precisar perguntar.
Aprender a cuidar do bebê sem esperar que ela explique cada detalhe.
Perguntar como ela está e realmente escutar a resposta.
Perceber quando ela está chegando ao limite antes que precise desmoronar para receber ajuda.
Porque existe uma diferença enorme entre dizer: “Se precisar, me chama.” e demonstrar: “Essa responsabilidade também é minha.”
Talvez essa seja uma das perguntas mais importantes que um homem pode fazer depois da chegada de um filho: Minha esposa tem um parceiro na criação dessa criança ou ganhou mais uma pessoa para administrar?
Apoiar não é fazer tudo por ela.
É fazer com que ela perceba que não precisa carregar tudo sozinha.
Importante: sintomas persistentes de depressão após o parto merecem avaliação profissional. Apoio do parceiro pode ser relevante, mas não substitui acompanhamento adequado.

Nei Silva
Terapeuta e Mentor
Conheça nosso trabalho em www.institutoneisilva.com.br



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