Servidor admite ter feito filiação falsa de Flávio Bolsonaro
Filiação falsa de Flávio Bolsonaro: servidor confessa ação à PF e diz que foi “brincadeira de mau gosto”
Crédito: Renato Pizzutto/Band Um funcionário da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) admitiu à Polícia Federal ter feito o cadastro irregular de Flávio Bolsonaro (PL) no partido Missão, episódio que chegou a dificultar o registro da candidatura do senador à Presidência da República, em agosto.
O responsável pelo cadastro foi identificado como Demóstenes Porto Fagundes, servidor federal que prestou depoimento voluntário à Polícia Federal em Belo Horizonte, no dia 21 de agosto.
Durante o depoimento, ele reconheceu que utilizou informações falsas, incluindo um endereço inexistente, para registrar o nome de Flávio Bolsonaro no sistema disponibilizado pelo partido. Classificou a iniciativa como uma “brincadeira de mau gosto” e negou que tivesse a intenção de prejudicar a candidatura presidencial.
O caso provocou um impasse na Justiça Eleitoral em agosto, quando a equipe de Flávio tentou formalizar sua candidatura e encontrou o nome do senador vinculado ao Missão, embora ele integrasse o PL.
TSE precisou intervir para liberar registro
A irregularidade levou o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, a determinar o restabelecimento da filiação de Flávio Bolsonaro ao Partido Liberal, em 13 de agosto.
Na ocasião, o TSE esclareceu que não havia ocorrido uma invasão de seus sistemas. Segundo o tribunal, o registro irregular foi realizado mediante o uso indevido de ferramentas de filiação por alguém com credenciais vinculadas ao partido Missão.
A legenda negou participação na fraude e informou que havia tentado cancelar o cadastro irregular. Também forneceu às autoridades registros de acesso e outras informações para auxiliar a investigação.
O episódio levou o TSE a suspender temporariamente o processamento de novas filiações partidárias.
Celular do servidor foi apreendido para perícia
Em sua versão à Polícia Federal, Demóstenes Porto Fagundes afirmou que utilizou o sistema disponível no site do Missão e que pretendia receber materiais de campanha da legenda.
O funcionário declarou ainda que não acessou diretamente o sistema oficial de filiações da Justiça Eleitoral.
Seu telefone celular foi apreendido para perícia, como parte das diligências destinadas a esclarecer o procedimento utilizado no cadastro.
Demóstenes trabalha na Infraero desde 2003, no cargo de profissional de serviços aeroportuários. Desde 2017, está cedido à Advocacia-Geral da União (AGU), conforme dados funcionais divulgados no Portal da Transparência.
A Polícia Federal investiga as circunstâncias da filiação irregular e a utilização das credenciais que permitiram o registro.
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