Claudinei Silva - Terapeuta

Você já percebeu que algumas pessoas precisam estar sempre ajudando alguém

Reprodução/Autor
Você já percebeu que algumas pessoas precisam estar sempre ajudando alguém

Você já percebeu que algumas pessoas parecem precisar o tempo inteiro estar ajudando alguém?

São aquelas que resolvem os problemas da família, se preocupam com as decisões dos filhos, estão sempre disponíveis para os amigos e dificilmente conseguem assistir alguém passando por uma dificuldade sem tentar fazer alguma coisa.
À primeira vista, isso parece apenas generosidade. E muitas vezes realmente é.

Mas existe uma pergunta interessante: será que essas pessoas ajudam apenas porque gostam de cuidar ou também porque precisam se sentir necessárias?
Imagine uma mãe que não consegue dormir porque o filho adulto tomou uma decisão com a qual ela não concorda.
Ou alguém que oferece ajuda, dá conselhos e, quando a outra pessoa decide seguir um caminho diferente, passa dias angustiado, tentando encontrar outra maneira de resolver a situação.
O sofrimento, nesses casos, nem sempre está apenas no problema do outro. Pode estar também na dificuldade de aceitar que existem situações que não estão sob seu controle.
E esse comportamento pode ter uma explicação mais profunda.
Pessoas que cresceram em ambientes de instabilidade, conflitos ou insegurança podem ter aprendido muito cedo que prestar atenção aos outros, antecipar problemas e evitar situações difíceis era uma maneira de se proteger.
Com o tempo, aquilo que começou como uma estratégia de sobrevivência pode se transformar em um padrão de comportamento.
A pessoa cresce, conquista independência, constrói sua família, mas continua sentindo que precisa resolver, proteger e sustentar tudo ao seu redor.
O que um dia foi uma forma de buscar segurança pode acabar se tornando uma necessidade emocional.
Existe ainda outro aspecto importante: a sensação de pertencimento.

Quando alguém passa boa parte da vida sendo reconhecido por aquilo que faz pelos outros, pode começar a associar seu próprio valor à capacidade de ser útil.
Ajudar traz satisfação. Resolver traz alívio. Ser procurado transmite importância.
E, aos poucos, a pessoa pode encontrar dificuldade para simplesmente estar presente sem precisar fazer alguma coisa por alguém.
Isso não significa que sua generosidade seja falsa. Significa que até comportamentos positivos podem se tornar desgastantes quando deixam de ser escolhas e passam a ser necessidades.
Na Terapia Breve com Hipnose, em Maringá, uma das questões que trabalho é justamente compreender esses padrões emocionais que continuam se repetindo, mesmo quando a pessoa já entende racionalmente que precisa agir de outra maneira.
Porque existe uma diferença entre saber que não é possível resolver a vida de todo mundo e conseguir permanecer emocionalmente tranquilo diante dessa realidade.
O caminho não é deixar de ajudar, abandonar as pessoas ou se tornar indiferente.
É aprender que cuidar de alguém não exige assumir a responsabilidade pela vida dessa pessoa.
É possível amar um filho e permitir que ele faça suas escolhas.
Apoiar um familiar sem carregar todas as consequências. Estar presente na vida de alguém sem precisar ser indispensável.
Talvez uma das maiores conquistas emocionais seja descobrir que uma pessoa continua tendo valor mesmo quando não está resolvendo nada para ninguém.
Porque o amor também precisa permitir liberdade.
E cuidar deveria ser uma expressão de afeto, não uma condição para se sentir importante.

Nei Silva
Terapia Breve com Hipnose em Maringá | Comportamento Humano e Relacionamentos




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