Emerson Celestino
Liberdade religiosa em risco: Cristãos precisam abrir os olhos!
A história demonstra que regimes autoritários de diferentes ideologias já perseguiram cristãos, mas é impossível ignorar os casos em que Governos de Esquerda, especialmente os de orientação comunista e autoritária, reprimiram a fé, perseguiram igrejas e tentaram submeter a religião aos interesses do Estado.
Quando a ideologia se coloca acima da liberdade de consciência, a fé se torna um alvo.
Cuba é um exemplo emblemático: há décadas sob um regime comunista, o país registra denúncias de restrições à liberdade religiosa, intimidação de líderes religiosos e limitações à atuação independente de igrejas.
Na Nicarágua, o governo de Daniel Ortega intensificou a repressão contra a Igreja Católica, expulsando religiosos e restringindo instituições religiosas. Na Venezuela, também existem denúncias de intimidação contra vozes críticas ao governo.
Diante desses fatos, precisamos perguntar: por que tantos defensores da esquerda brasileira demonstram seletividade quando o assunto é liberdade religiosa?
Por que as relações políticas com governos acusados de reprimir religiosos não recebem a mesma cobrança rigorosa que se faz aos adversários ideológicos?
O presidente Lula não pode ser responsabilizado automaticamente pelos atos de governos estrangeiros.
Entretanto, suas alianças diplomáticas, declarações públicas e posicionamentos diante dessas violações devem ser examinados pela sociedade. A diplomacia não pode servir de desculpa para ignorar o sofrimento de cristãos perseguidos.
E há outro episódio que merece reflexão.
Uma pesquisa conduzida por pesquisadores ligados à UFRJ, em parceria com a ONG More in Common Brasil, monitorou 7.456 cultos e missas transmitidos publicamente pelo YouTube durante as duas semanas anteriores ao primeiro turno eleitoral.
O levantamento provocou questionamentos de representantes religiosos sobre os limites da fiscalização de manifestações de fé.
É importante distinguir o monitoramento acadêmico de transmissões públicas de uma perseguição religiosa comprovada.
Ainda assim, é legítimo debater os limites entre pesquisa, liberdade de expressão, autonomia das igrejas e respeito às comunidades religiosas.
A igreja não pode ser intimidada por governos, nem tratada como suspeita simplesmente por exercer sua liberdade de expressão.
Para os cristãos brasileiros, o momento exige discernimento.
Não podemos condenar a perseguição religiosa em países distantes e permanecer indiferentes quando os princípios da liberdade de consciência são questionados aqui. Tampouco devemos fechar os olhos para violações porque seus responsáveis compartilham nossa preferência ideológica.
No segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro, cada eleitor terá a oportunidade de avaliar os candidatos, suas propostas, seu histórico e seus compromissos com as liberdades fundamentais.
Como cristãos, precisamos perguntar a nós mesmos:
* Qual candidato demonstra maior compromisso com a liberdade religiosa?
* Quem está disposto a condenar a perseguição de cristãos, independentemente da ideologia do perseguidor?
* Quem respeita a autonomia das igrejas e a liberdade de pregar, ensinar as Escrituras e manifestar opiniões?
* Estamos avaliando os candidatos por seus atos e propostas ou apenas repetindo discursos partidários?
Não basta um candidato falar em democracia.
É necessário examinar se suas atitudes são coerentes com a defesa das liberdades individuais.
E isso vale para a esquerda, para a direita e para qualquer grupo político.
O voto é livre, mas deve ser consciente. Nenhum cristão deve aceitar que sua fé seja manipulada por partidos, mas também não deve abrir mão de avaliar honestamente o compromisso dos candidatos com os valores que considera fundamentais.
A liberdade religiosa não é um privilégio concedido pelo Estado. É um direito que precisa ser protegido contra qualquer governo que tente restringi-lo.
No dia 25 de outubro, a pergunta não deve ser apenas de que lado político estamos, mas quais princípios estamos dispostos a defender.
Se acreditamos que a liberdade religiosa é inegociável, precisamos cobrar coerência, denunciar perseguições e rejeitar a cumplicidade com abusos, venha de onde vierem.
Cristãos não podem trocar a liberdade de sua fé por conveniência ideológica.
A consciência diante de Deus e o compromisso com a verdade devem ser maiores do que qualquer partido político.
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