OPINIÃO & OPINIÃO
Os exemplos de um tal João
Nesta antevéspera de Nossa Senhora, as lembranças me levam a um homem simples.
Temente a Deus, prezava a família e ministrava cursos de noivos. Juiz de Paz, uniu o destino de mais de mil casais.
Quando secretário municipal, sua dedicação fez com que muitos o considerassem o melhor da história de Maringá.
Ao se candidatar a prefeito, em 1988, João era o favorito das calçadas, rondando a casa dos 60% nas intenções de voto.
Mas seu currículo limpo não o protegeu do vento sujo das notícias falsas. Inventaram que roubava gado, espalharam que sua empresa estava quebrada e que ele buscava o poder para se salvar. Maldades.
Seu sobrenome era Preis e ele já não caminha entre nós. Em 2017, guiado pelo historiador Reginaldo Dias, me chamou para colocar sua vida no papel.
Honesto, carregava no peito a mágoa das mentiras. Pelo menos 30 mil eleitores acreditaram nelas. Votaram nos adversários e Maringá perdeu a chance de ser cuidada por alguém que punha Deus, o trabalho e a cidade na mesma oração.
A desinformação, que hoje atende pelo nome pomposo de fake news, é velha conhecida. Foi ela que, tempos atrás, vestiu um político de “Caçador de Marajás” para entregá-lo à presidência. É a mesma que, mais tarde, alçou ao cargo máximo um ex-militar obscuro e despreparado.
Em sua inocência, João acreditava nas boas intenções do ex-militar.
Nas nossas manhãs, ele chegava antes à padaria Cerro Azul, sentava-se à mesa 17 e me mandava a foto do número pelo celular. Era cordial, ríamos de bobagens.
No fundo, eu acalentava o medo de que o candidato dele vencesse. Esse mesmo receio que aperta o coração de milhões de brasileiros hoje em relação ao filho do tal homem.
Se estivesse aqui, João se entristeceria com o vandalismo contra as igrejas e o estraçalhar de imagens santas.
Tampouco toleraria o preconceito contra os irmãos de Umbanda e Candomblé, ou o fogo ateado contra as universidades.
Tenho muito da inocência do João no coração. Meu desejo é que a fé traga serenidade aos eleitores.
Seja dos católicos ou de outros credos. Ou que venha da esperança bonita dos que creem apenas no respeito mútuo. Que neste outubro de Maria, a verdade recupere o seu lugar no mundo.
Dirceu Herrero Gomes
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