Emerson Celestino

Um pai, um filho e uma batalha que ainda não terminou.

Foto: Mateus Bonomi/AFP
Um pai, um filho e uma batalha que ainda não terminou.

Há momentos em que a política deixa de ser apenas política.

Quando um filho precisa de autorização judicial para visitar o próprio pai, estamos diante de uma situação que desperta sentimentos muito mais profundos do que uma simples disputa eleitoral.

A autorização para que Flávio Bolsonaro volte a visitar Jair Bolsonaro encerra, ao menos por enquanto, uma restrição que atingiu uma relação familiar e que também envolveu a atuação profissional de Flávio como advogado do pai.

Para quem acompanha a trajetória de Jair Bolsonaro, é impossível olhar para esse episódio sem lembrar de tudo o que aconteceu nos últimos anos.

Foram eleições, derrotas, vitórias, acusações, investigações, decisões judiciais, manifestações gigantescas e uma sociedade profundamente dividida. No centro de tudo isso esteve um homem que se tornou símbolo de uma parcela expressiva do eleitorado brasileiro.

Agora, seu filho está diante de uma responsabilidade histórica.

Flávio Bolsonaro não carrega apenas um sobrenome. Carrega uma história política.

E justamente por isso, o momento exige coragem, serenidade e firmeza.

O conservadorismo não pode ser confundido com violência. Patriotismo não é vandalismo. Liberdade não significa ausência de responsabilidade.

Se existe uma convicção que precisa permanecer intacta, é a de que a democracia deve valer para todos — inclusive quando o resultado não agrada ao nosso lado.

Aqueles que defendem valores conservadores precisam demonstrar que acreditam na Família, na Liberdade, na Propriedade, na Responsabilidade Individual e no Estado de Direito não apenas quando essas idéias lhes são convenientes, mas principalmente quando são colocadas à prova.

A volta das visitas de Flávio ao pai não resolve as enormes controvérsias jurídicas e políticas que cercam Jair Bolsonaro. Tampouco encerra a disputa eleitoral que se aproxima.

Mas produz uma imagem poderosa: um filho diante do pai, depois de meses de distância.
E talvez seja justamente essa dimensão humana que não pode ser perdida em meio à guerra política.
Que as urnas decidam.
Que a Justiça cumpra seu papel.
Que as instituições sejam respeitadas.
Mas que ninguém precise abrir mão da própria Família para defender suas convicções.
Porque uma Democracia forte não é aquela em que apenas um lado pode falar. É aquela em que todos podem lutar por suas ideias dentro da lei.
E, para quem acredita que a história política de Jair Bolsonaro ainda não terminou, o reencontro entre pai e filho pode ser visto não como o fim de uma batalha, mas como mais uma página de uma história que continua sendo escrita.






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