Emerson Celestino
A convocação de Lula e a responsabilidade política.
Há um elemento importante nessa discussão: Lula não apenas participou da manifestação na Avenida Paulista realizado neste domingo, 11 de outubro de 2026, como também convocou publicamente seus apoiadores a irem às ruas. Em vídeo divulgado na véspera, o presidente confirmou sua presença e incentivou a mobilização popular.
Esse fato torna legítimo questionar as consequências políticas do evento.
Quando um presidente e candidato à reeleição convoca seus apoiadores para uma grande manifestação, assume o protagonismo político da mobilização e passa a ter sua imagem associada ao ato.
Isso não significa responsabilizá-lo automaticamente por qualquer conduta individual dos participantes.
Significa, porém, que a oposição tem o direito de cobrar uma posição pública firme diante de eventuais episódios de depredação, além de exigir que os responsáveis sejam identificados e respondam por seus atos.
A comparação com o episódio envolvendo Carla Zambelli, na véspera do segundo turno de 2022, também merece atenção. Naquele caso, a conduta de uma liderança bolsonarista gerou repercussão negativa em um momento decisivo da campanha. Agora, eventuais episódios de vandalismo em uma manifestação convocada por Lula podem abrir uma frente semelhante de desgaste político para o campo petista.
A questão central é a coerência: se a direita foi criticada por atitudes de integrantes de seu próprio campo político, a esquerda também precisa estar sujeita ao mesmo escrutínio público.
Para o bolsonarismo, a oportunidade é defender a liberdade de manifestação, o respeito ao patrimônio público e a responsabilização individual, sem generalizações ou acusações sem provas.
Afinal, convocar a população para as ruas é um direito democrático.
Mas, quando uma manifestação ganha dimensão nacional e envolve diretamente um candidato à Presidência, a forma como seus organizadores e lideranças reagem a eventuais excessos também passa a fazer parte do debate político.
Na democracia, ninguém está acima das críticas — e a mesma régua deve valer para todos.
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