Tragédia na Espanha. Governo fala em vítimas de 27 países.

Premier da Espanha fala em vítimas de até 27 nacionalidades entre mortos e feridos em acidente ferroviário

AFP - Agências internacionais — Urda, Espanha
Tragédia na Espanha. Governo fala em vítimas de 27 países. Guindaste auxilia trabalho de buscas em local de acidente ferroviário na província de Toledo, na Espanha, nesta sexta-feira — Foto: Oscar del Pozo/AFP

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, afirmou nesta sexta-feira que as autoridades estão trabalhando "incansavelmente" para identificar as vítimas do acidente entre trens de alta velocidade que matou ao menos 69 pessoas na quarta-feira, à medida que o trabalho avança lentamente no necrotério de Toledo.

O premier aponta que cidadãos de 27 nacionalidades podem estar entre as vítimas, enquanto cerca de 70 pessoas permanecem desaparecidas — algumas destas que podem estar entre os mortos, uma vez que apenas 13 corpos foram identificados, e que as autoridades confirmam que "restos mortais parciais" foram coletados no local do acidente.
— Estamos trabalhando de maneira incansável, todos os poderes do Estado, para tentar oferecer o máximo de informação o quanto antes, de forma fidedigna, aos familiares das vítimas — afirmou o primeiro-ministro após uma reunião com os serviços de emergência em Urda, citando a informação sobre os possíveis afetados de 27 países, sem deixar claro se a informação decorre da lista de passageiros dos trens, de documentos coletados no local do acidente ou de identificações positivas, incluindo entre feridos.

Em Toledo, cujo necrotério concentra os trabalhos de identificação das vítimas, o clima é de angústia e ansiedade dois dias após o acidente, que ocorreu na cidade de Urda.
Famílias buscam informações de seus parentes, e muitas forneceram amostras de DNA para facilitar o trabalho de identificação. O governador da região de Castilla-La Mancha, Emiliano García-Page, afirmou nesta sexta-feira que "há 70 denúncias de desaparecidos", informando que o número pode coincidir com falecidos que ainda não foram identificados.
— Não descartamos que possa haver mais mortos — advertiu García-Page, detalhando que além da recuperação de "corpos completos", os socorristas recolheram "até 31 bolsas mortuárias com restos mortais parciais". — Como podem compreender, o processo de identificação é extremamente complexo.

Acidente com trem de alta velocidade na Espanha deixa ao menos 68 mortos -  BBC News Brasil

Auxiliadas por três enormes guindastes e cães farejadores, equipes de emergência prosseguem nesta sexta-feira com as buscas por vítimas entre os ferros retorcidos de vários vagões.
A investigação das causas do acidente também prossegue, diante do que Sánchez chamou de "confiança quebrada no sistema", prometendo um "diagnóstico, conhecer as causas e oferecer soluções".
A poucas semanas de uma eleição nacional, o tema ganhou peso político, com o líder do Partido Popular (PP, de oposição à direita), Alberto Núñez Feijóo, culpando o governo pelo que chamou de "sistema de segurança obsoleto".
— Se eles não se demitem, demitiremos eles nas urnas — afirmou Feijóo em um pronunciamento nesta sexta, referindo-se também a um acidente anterior, ocorrido em fevereiro. — Por uma manutenção deficiente por parte do governo, morreram 49 pessoas em Adamuz e ao menos 69 em Toledo.

O ministro dos Transportes Óscar Puente descartou renunciar, afirmando que sua obrigação seria "resolver o problema e oferecer explicações", durante um pronunciamento no ministério.
Puente também afirmou que o sistema de segurança LZB — que ficou fora do ar no momento do acidente, sendo apontado como uma das causas para a colisão — apresentou problemas 170 vezes neste ano, o que disse estar "dentro da normalidade europeia".

Colisão de trens na Espanha deixa ao menos 64 mortos | VEJA
Um trem do serviço premium AVE, de alta velocidade da companhia estatal Renfe, atingiu a composição da empresa privada Iryo, que estava parada na ferrovia entre Madri e Sevilha. 
Cento e dez pessoas foram hospitalizadas após o incidente, segundo as autoridades governistas, das quais 71 receberam alta médica. O governador regional afirmou que os 39 pacientes que permanecem em internação apresentam "uma evolução razoavelmente positiva". 




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