María Corina volta à Venezuela após meses de exílio.
A líder opositora saiu do país em dezembro de 2025, após um ano escondida; ela retornou neste domingo (25) após diversas tentativas frustradas
Machado retorna à Venezuela nove meses após a captura de Nicolás Maduro Vente Venezuela / AFP A líder opositora venezuelana e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, María Corina Machado, voltou ao seu país após quase um ano no exílio e foi recebida com euforia e lágrimas por seus apoiadores.
María Corina, de 60 anos, havia feito pelo menos sete tentativas infrutíferas de retornar à Venezuela, segundo fontes de seu partido. "Estou aqui. Com vocês", escreveu neste domingo (25) em uma mensagem no X.
Machado deixou o país em dezembro para receber o Prêmio Nobel, depois de passar quase um ano na clandestinidade e em meio à onda de prisões desencadeada pela controversa reeleição de Nicolás Maduro em 2004.
Machado retorna à Venezuela nove meses após a captura de Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos e depois que Delcy Rodríguez assumiu o cargo de presidente interina.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse não estar ciente de sua chegada, mas expressou o desejo de que ela esteja em segurança.
"Não sei nada sobre isso, mas acho que ela é uma mulher muito agradável. Ela me deu seu Prêmio Nobel, então como posso dizer outra coisa? E espero que esteja em segurança. Estamos indo muito bem na Venezuela", declarou Trump a jornalistas.
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, disse que o retorno da líder opositora é um "resultado direto" do processo de "reconciliação" conduzido em uma mesa de diálogo com o apoio de Washington.
Uma parte da oposição venezuelana e o governo interino de Rodríguez, sob pressão de Washington, iniciaram negociações em agosto com vistas a uma transição democrática.
María Corina não foi convidada para essa mesa, mas afirmou que não a obstruiria.
"Aqui está o seu povo"
Machado foi neste domingo à igreja de Santa Rosa, em Barquisimeto, cerca de 400 km a oeste de Caracas, para agradecer por seu retorno ao país, informaram seus porta-vozes.
"Aqui está o seu povo, María", "Nós te amamos", "Viva María Corina", gritaram para ela ao entrar no templo, segundo imagens divulgadas nas redes sociais por sua equipe, nas quais ela aparece vestindo uma camiseta branca e jeans, cercada por apoiadores, alguns deles chorando de emoção.
Edmundo González Urrutia, candidato de Machado nas eleições presidenciais de 2024, que reivindica ter vencido aquele pleito, comemorou seu retorno. "Hoje é um dia muito importante para os venezuelanos", escreveu no X.
"Muito em breve estarei com vocês e com ela para que nosso país avance verdadeiramente rumo à liberdade. Vocês sabem, isto vai até o fim", acrescentou.
"Retorno em liberdade"
Em sua mensagem de domingo, o secretário Marco Rubio defendeu que "as liberdades de todos os setores da política venezuelana continuem sendo respeitadas".
Ele também pediu a todos os atores políticos que apoiem a mesa de diálogo.
Ela representa "a melhor oportunidade que a Venezuela teve em trinta anos para alcançar pacificamente não apenas eleições livres e justas, mas também uma democracia duradoura", afirmou.
Dinorah Figuera, chefe da delegação opositora na mesa de negociações, reagiu com uma saudação ao retorno da líder opositora. "Celebramos o retorno em liberdade de María Corina Machado", escreveu no X.
O terceiro ciclo de negociações terminou na quarta-feira com um acordo para revisar leis que restabeleçam garantias aos partidos políticos.
Milhares de venezuelanos marcharam na quinta-feira em várias cidades do país para exigir o retorno de Machado.
O partido da líder opositora, Vente Venezuela, pede a realização de eleições presidenciais em 2027.
Delcy Rodríguez afirmou que serão realizadas eleições na Venezuela, mas não especificou uma data.
Muitos dos dirigentes do Vente Venezuela voltaram recentemente do exílio, para onde foram depois de uma onda de repressão pós-eleitoral que deixou 28 mortos e mais de 2.400 presos, incluindo dezenas de colaboradores de Machado.
O partido também exigiu o fim da inabilitação política que impediu Machado de se candidatar à Presidência.
A legenda reiterou essa exigência depois que uma magistrada do Supremo Tribunal confessou ter sido obrigada a assinar a inabilitação de Machado porque seus irmãos e sua cunhada, que são militares, haviam sido detidos.
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