Por que o coração dispara quando estamos apaixonados?

Borboletas no estômago, euforia e ansiedade: o que acontece no organismo quando surge uma paixão

EdsonValerio/OLIDOSAMORES
Por que o coração dispara quando estamos apaixonados? Reprodução

O coração bate mais rápido, a expectativa por uma mensagem aumenta e um encontro pode provocar nervosismo e euforia. Essas reações comuns no início de um relacionamento têm explicações que envolvem o funcionamento do cérebro e a atuação de substâncias químicas relacionadas ao prazer, à motivação e à formação de vínculos afetivos.

A paixão não é apenas uma experiência emocional. Ela também mobiliza mecanismos biológicos que influenciam o comportamento, a atenção e a maneira como percebemos a pessoa por quem sentimos atração.

Uma das substâncias envolvidas é a dopamina, neurotransmissor associado aos circuitos de recompensa e motivação do cérebro. Sua atuação ajuda a explicar o entusiasmo diante de um encontro, a expectativa por uma resposta e a vontade de repetir experiências agradáveis com a pessoa amada.

Já a adrenalina participa das respostas físicas relacionadas à expectativa e à ansiedade. Em situações de maior excitação emocional, o organismo pode apresentar aceleração dos batimentos cardíacos, aumento do estado de alerta e a conhecida sensação de borboletas no estômago.

A ocitocina também está envolvida nesses processos, especialmente na formação de vínculos e na sensação de proximidade.
O contato físico, os beijos e os carinhos estão entre as interações que podem estimular sua liberação.

Outra substância estudada é a vasopressina, que participa de mecanismos associados à construção e à manutenção de laços afetivos.

Por que a pessoa amada parece não ter defeitos?

A expressão popular de que o amor é cego encontra alguma correspondência na maneira como o envolvimento afetivo pode influenciar nossa percepção.

Durante os primeiros momentos de uma paixão, é comum valorizar intensamente as qualidades do parceiro e dar menos importância a comportamentos que poderiam causar incômodo em outras circunstâncias.

Isso não significa que o cérebro deixe de reconhecer defeitos, mas que a intensidade do envolvimento emocional pode influenciar a atenção e a avaliação do comportamento da outra pessoa.

Com o passar do tempo, a convivência oferece novas informações sobre o relacionamento. Características antes pouco percebidas podem ganhar importância, enquanto a imagem idealizada dá lugar a uma percepção mais completa do parceiro.

Estar apaixonado faz bem à saúde?

Relacionamentos afetivos satisfatórios podem estar associados ao bem-estar físico e emocional.
Pesquisas sobre vínculos sociais apontam relações com a regulação do estresse, o suporte emocional e diferentes indicadores de saúde.

A ocitocina participa de mecanismos relacionados à proximidade social e às respostas ao estresse, mas seus efeitos dependem de diferentes condições biológicas e emocionais.

Nem toda paixão, entretanto, produz efeitos positivos. O início de um relacionamento também pode provocar ansiedade, alterações no sono, irritabilidade e preocupação excessiva.

Em algumas situações, a intensidade do envolvimento faz com que atividades profissionais, exercícios físicos, amizades e outros compromissos recebam menos atenção.

As respostas variam entre as pessoas e não dependem exclusivamente da ação de um neurotransmissor ou hormônio.
A história individual, as experiências anteriores e a qualidade da relação também influenciam a maneira como cada pessoa vivencia a paixão.

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