Governo Lula prorroga subsídio de R$ 2,12 por litro de diesel
Com petróleo perto de US$ 110, governo mantém ajuda ao diesel para conter preços
Reprodução O governo federal anunciou nesta terça-feira (27) a prorrogação, por mais 30 dias, da subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel comercializado no Brasil. A decisão mantém o benefício destinado a reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo sobre o abastecimento e os preços do combustível.
A renovação foi confirmada pelo Ministério do Planejamento e Orçamento e será formalizada por publicação no Diário Oficial da União. Segundo a pasta, o financiamento continuará sendo feito com receitas extraordinárias relacionadas ao petróleo.
A medida ocorre em meio à instabilidade no Oriente Médio, que mantém os preços internacionais pressionados. Nesta segunda-feira (26), o barril do petróleo Brent, referência no mercado internacional, era negociado perto de US$ 110.
Diesel importado também recebe benefício adicional
Além da subvenção de R$ 2,12 por litro, o governo concede outros R$ 1,40 por litro de diesel importado. Esse benefício adicional tem validade prevista até 6 de novembro e poderá ser prorrogado.
A diferença entre os preços praticados no mercado brasileiro e o custo internacional do combustível continua elevada.
Segundo estimativa da StoneX, o custo de importação do diesel estava em R$ 6,76 por litro, enquanto a defasagem em relação aos preços da Petrobras chegou a R$ 3,53 por litro.
Os subsídios são mantidos desde abril como parte das medidas para reduzir os impactos dos conflitos internacionais sobre o mercado brasileiro. Até o fim de agosto, os gastos acumulados com esses benefícios ultrapassavam R$ 32 bilhões.
Preços elevados podem continuar em 2027
Analistas do banco Goldman Sachs avaliam que o diesel poderá continuar caro no mercado internacional durante 2027, mesmo com uma eventual normalização do transporte de petróleo.
A avaliação considera os danos sofridos por refinarias, os baixos estoques globais de derivados e o adiamento de manutenções industriais em países exportadores, como Índia e Coreia do Sul.
No Brasil, o diesel S-10 já acumulou alta de 20% nos postos desde o início da guerra, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), apesar das medidas de subvenção.
A continuidade dos benefícios mantém uma parcela dos custos sob responsabilidade do governo, enquanto a retirada dos subsídios poderá provocar novos reajustes nos preços do combustível.
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