Lula e Flávio elevam tom no último confronto.

Lula e Flávio discutem economia e segurança, mas encerram último debate com troca de acusações

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Lula e Flávio elevam tom no último confronto. Reprodução TV GLOBO

O último debate presidencial antes do segundo turno das eleições de 2026 terminou com Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) trocando acusações sobre corrupção, relações políticas e episódios envolvendo pessoas próximas aos dois candidatos.
O confronto aconteceu na noite de sexta-feira (23), na TV Globo, dois dias antes da votação que definirá o próximo presidente da República.

Durante boa parte do programa, os adversários discutiram propostas para o país, principalmente nas áreas de economia, saúde, educação e segurança pública. O tom mudou no último bloco, quando os temas ficaram livres e ambos passaram a questionar casos de repercussão nacional.

O debate foi mediado pelo jornalista César Tralli e começou por volta das 21h40, terminando próximo da meia-noite.

Custo de vida e endividamento dominam confronto econômico

Flávio Bolsonaro concentrou parte de sua participação nas críticas ao custo dos alimentos, aos juros e ao endividamento das famílias brasileiras.

O senador responsabilizou a política econômica do governo Lula pela perda do poder de compra e prometeu, caso eleito, reduzir impostos, combater desperdícios e ampliar as possibilidades de renegociação de dívidas.

Entre suas propostas, mencionou transformar a Caixa Econômica Federal em um instrumento de refinanciamento das dívidas dos brasileiros.

Lula respondeu defendendo os programas de renegociação criados em seu governo, como o Desenrola, e os reajustes do salário mínimo.

O presidente também questionou o que chamou de possível corte de investimentos públicos em um eventual governo Flávio Bolsonaro. O candidato do PL respondeu que pretende reduzir despesas com burocracia e corrupção, sem comprometer os serviços essenciais.

A discussão também alcançou os investimentos federais em infraestrutura, a dívida pública, a autonomia do Banco Central e os juros cobrados dos produtores rurais.

Saúde, educação e aposentadorias entram nas propostas

No debate sobre saúde, Flávio criticou as filas de atendimento e a falta de medicamentos no Sistema Único de Saúde (SUS).

O senador prometeu atualizar a tabela de pagamentos do SUS, ampliar os investimentos e renegociar dívidas das Santas Casas.

Lula defendeu o sistema público e questionou como o adversário pretende ampliar os serviços enquanto propõe reduzir despesas do governo.

Na educação, os candidatos discutiram o ensino integral e programas de apoio aos estudantes.

Flávio afirmou que não pretende extinguir os programas educacionais de assistência já existentes e defendeu a ampliação das escolas em tempo integral.

Lula citou o Pé-de-Meia e iniciativas federais de incentivo à permanência dos estudantes nas instituições de ensino.

O presidente também cobrou uma posição sobre os reajustes das aposentadorias. Flávio respondeu que pretende conceder aumentos acima da inflação.

Referência aos “nove dedos” e acusações sobre milícias elevam tensão

Um dos momentos de maior confronto ocorreu quando Flávio Bolsonaro chamou Lula de “nove dedos”, em referência à amputação de um dedo sofrida pelo presidente em um acidente de trabalho.

Lula reagiu e cobrou respeito à sua trajetória como trabalhador, além de voltar a associar o adversário a suspeitas envolvendo milícias no Rio de Janeiro.

Flávio pediu desculpas pela expressão, mas continuou questionando o desempenho do governo na economia e na segurança pública.

Outro episódio envolveu o histórico parlamentar do senador.

Lula lembrou que Flávio votou contra a ampliação da licença-maternidade de quatro para seis meses quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, em 2009.

O candidato do PL reconheceu que atualmente teria uma posição diferente sobre a proposta.

Caso de menina morta no Rio também foi discutido

Na área de segurança pública, Lula questionou Flávio por sua participação na defesa de um policial militar acusado de envolvimento na morte de Ana Clara, uma criança de cinco anos atingida por um disparo em Niterói, em 2021.

A mãe da menina estava presente no estúdio.

Ao responder, Flávio se confundiu e chamou a mãe pelo nome da filha. O senador afirmou acreditar que o disparo fatal não partiu do policial e ressaltou que o caso ainda não havia sido julgado.

O debate também passou pelas propostas de combate ao tráfico de drogas, à criminalidade e às organizações criminosas.

Lula defendeu o fortalecimento da Polícia Federal e a criação de um Ministério da Segurança Pública, condicionada à aprovação da proposta de reorganização da área.

Flávio apresentou medidas de endurecimento penal e prometeu ampliar o apoio federal aos estados no enfrentamento do crime organizado.

Banco Master e disputa por ilha dominam bloco final

No último bloco, as propostas perderam espaço para acusações envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e pessoas relacionadas aos candidatos.

Flávio questionou Lula sobre notícias envolvendo supostos presentes e pagamentos atribuídos ao banqueiro. O presidente negou ter recebido o presente mencionado e devolveu as acusações, questionando os vínculos do adversário com Vorcaro.

Lula também trouxe ao debate uma disputa envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, relacionada ao jogador Richarlison e ao advogado Willer Tomaz.

O presidente questionou a possível participação de Flávio em decisões relacionadas ao imóvel.

O senador negou ter feito a indicação de um servidor mencionada pelo adversário e apresentou sua versão sobre a disputa patrimonial.

As acusações foram utilizadas pelos candidatos durante o confronto e não representam, por si só, comprovação das irregularidades mencionadas.

Candidatos encerram debate com mensagens diferentes

Nas considerações finais, Flávio Bolsonaro voltou a prometer medidas para recuperar o poder de compra das famílias, defendeu o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e pediu aos brasileiros que fizessem uma oração pelo país.

Lula destacou sua trajetória como trabalhador e presidente da República, pediu votos e apresentou a eleição como uma escolha sobre os rumos políticos do Brasil.

Após o debate, os dois candidatos fizeram declarações à imprensa.

Flávio avaliou positivamente o encontro e afirmou que, se eleito, pretende manter políticas públicas que considerar benéficas, independentemente do governo que as criou.

Lula criticou a postura do adversário e voltou a questionar a veracidade de suas declarações.

O confronto encerrou a sequência de debates entre os dois finalistas da eleição presidencial.
O segundo turno será realizado neste domingo, 25 de outubro, quando os eleitores decidirão quem governará o Brasil pelos próximos quatro anos.

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