Flávio promete rever mistura de etanol na gasolina.

Mistura de etanol na gasolina entra na disputa presidencial após declarações de Flávio Bolsonaro

Redesocial/PortalEdsonValério
Flávio promete rever mistura de etanol na gasolina. Reprodução/Montagem: Investi/

O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que pretende rediscutir a mistura obrigatória de 32% de etanol anidro na gasolina caso seja eleito. A declaração, feita durante uma transmissão ao vivo em 20 de agosto, provocou reação de entidades ligadas à produção de açúcar e etanol, que defenderam a segurança da mistura e questionaram a posição do senador.

O ponto que ganhou destaque na discussão foi a participação de Flávio na sessão do Senado que aprovou, em 4 de setembro de 2024, o projeto que deu origem à Lei do Combustível do Futuro, permitindo elevar o percentual de etanol na gasolina.

Na ocasião, a proposta foi aprovada em votação simbólica, com registro de apenas um voto contrário, do senador Eduardo Girão (Novo). Flávio Bolsonaro estava presente na sessão.

Flávio compara combustível a produtos que diminuem de tamanho

Durante a transmissão, o senador criticou o aumento da mistura, comparando a mudança à redução da quantidade de produtos vendidos ao consumidor, como barras de chocolate e rolos de papel higiênico.

“A gasolina virou etanol. Nem o combustível esse governo tá poupando”, declarou.

Flávio também levantou dúvidas sobre possíveis danos aos motores dos veículos e afirmou que existem outras maneiras de incentivar o setor brasileiro de etanol.

O percentual de etanol anidro na gasolina comum passou de 30% para 32% em 1º de agosto de 2026, por determinação do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). A medida tem caráter temporário, com duração inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada uma única vez pelo mesmo período.

Setor de etanol reage e apresenta resultados de testes

As declarações foram contestadas por seis entidades representativas do setor sucroenergético, entre elas a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e a União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

Em manifestação conjunta divulgada em agosto, as organizações afirmaram que a comparação feita pelo candidato desinforma o consumidor e desconsidera uma política de incentivo aos biocombustíveis construída ao longo de décadas.

As entidades também destacaram que a ampliação da mistura passou por avaliações técnicas.

Segundo o setor, o Instituto Mauá de Tecnologia realizou testes com 16 modelos de automóveis e 13 motocicletas, utilizando gasolina com diferentes proporções de etanol.

Os ensaios, realizados em laboratório e em pista, avaliaram misturas de 27%, 30% e 32%. Conforme as entidades, os resultados demonstraram a viabilidade técnica da nova composição, sem prejuízo ao desempenho dos veículos testados.

Lei aprovada em 2024 abriu caminho para a mudança

A Lei, conhecida como Lei do Combustível do Futuro, estabeleceu condições para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira.

A legislação permite que a mistura de etanol anidro à gasolina chegue a 35%, desde que observados os critérios técnicos exigidos. O percentual atual de 32% foi definido posteriormente pelo CNPE, já em 2026.
A proposta de Flávio Bolsonaro coloca a política de combustíveis entre os assuntos da reta final da campanha presidencial, cujo segundo turno será realizado neste domingo, 25 de outubro.

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