Entenda por que nem toda queda de cabelo é calvície.
Queda de cabelo pode esconder doenças e tratamento errado comprometer recuperação, alerta especialista
Alopecia areata é uma condição autoimune crônica e inflamatória que vai além da questão estética • Freepik O alerta é do tricologista* João Gabriel Fernandes, que destaca a importância de uma avaliação individualizada diante de falhas no couro cabeludo ou de uma queda acentuada dos fios.
Segundo o especialista, um dos equívocos mais frequentes é tratar qualquer perda capilar como se fosse a mesma doença.
“A alopecia não é uma única doença, e esse é o principal erro de quem tenta tratar a queda de cabelo sem diagnóstico. Cada tipo tem uma causa diferente, hormonal, autoimune ou inflamatória, e isso muda completamente a estratégia”, explica.
Nem toda alopecia é calvície: conheça as diferenças
O termo alopecia é utilizado para diferentes condições que provocam a perda de cabelo. Algumas podem ser reversíveis, enquanto outras causam danos permanentes aos folículos capilares.
A alopecia androgenética, popularmente conhecida como calvície, está relacionada principalmente a fatores genéticos e hormonais. É uma das formas mais comuns de perda progressiva dos fios.
Já a alopecia areata é uma condição autoimune que pode provocar falhas arredondadas no couro cabeludo e em outras regiões do corpo. Sua evolução varia de pessoa para pessoa.
Há ainda as alopecias cicatriciais, menos frequentes, caracterizadas por processos que destroem os folículos capilares e podem impedir definitivamente o crescimento dos fios nas áreas afetadas.
Essas diferenças tornam importante descobrir qual condição está presente antes de iniciar qualquer tratamento.
Tratamento sem diagnóstico pode atrasar a recuperação
Além das diferentes formas de alopecia, o especialista explica que a queda de cabelo pode estar associada a deficiências nutricionais, alterações hormonais, processos inflamatórios, estresse prolongado e danos provocados por produtos químicos.
Em algumas situações, os fios podem voltar a crescer após poucos meses de tratamento. Em outras, é necessário acompanhamento contínuo.
“A mesma queda pode ter origens completamente diferentes. Há pacientes com deficiência nutricional, outros com processos inflamatórios silenciosos, alterações hormonais, estresse crônico ou até sensibilização química do couro cabeludo. Quando não se entende a causa, o tratamento vira tentativa e erro”, afirma Fernandes.
O tricologista ressalta que não existe uma solução única para todas as causas da queda capilar.
O tratamento deve considerar a condição identificada, o estado do couro cabeludo e as necessidades individuais do paciente.
A avaliação médica, especialmente com um dermatologista, permite investigar a origem do problema e definir as medidas adequadas.
Para João Gabriel Fernandes, os cuidados também precisam considerar a saúde do organismo e as condições do couro cabeludo, não apenas o estímulo ao crescimento dos fios.
“Hoje falamos muito mais sobre equilíbrio do organismo, controle inflamatório e fortalecimento do couro cabeludo do que apenas estimular crescimento. O cabelo saudável é consequência de um ambiente biológico saudável”, conclui.
*Tricologista é o profissional focado no estudo, no diagnóstico e no tratamento de problemas relacionados aos cabelos e ao couro cabeludo
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