As propostas de Flávio e de Lula para o preço dos alimentos.
Enquanto Flávio aposta na redução do Custo Brasil, o presidente pretende estimular a produção de alimentos para conter os preços
INDIGESTÃO Flávio Bolsonaro e Lula: inflação dos alimentos pesa no bolso dos brasileiros (Evaristo Sá/AFP) Após três meses consecutivos de recuo, os preços dos alimentos voltaram a subir em setembro, segundo divulgado nesta sexta-feira 9 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Enquanto o IPCA, o índice oficial de inflação, subiu 0,82% no mês passado, a alimentação no domicílio, que mede a inflação dos alimentos comprados para se preparar e consumir em casa, avançou 0,96%.
Entre os itens que mais encareceram estão o arroz (4,6%), a batata inglesa (24%), o tomate (38%) e a cebola (10%).
Com as famílias cada vez mais endividadas, a inflação dos alimentos entrou no programa de governo dos dois candidatos à Presidência neste segundo turno - o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-SP), que tenta se reeleger, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que desponta como favorito nas pesquisas de intenção de voto.
No geral, Flávio Bolsonaro aposta na redução do Custo Brasil para baratear os alimentos, enquanto Lula propõe incentivar a agricultura familiar e o aumento da produção.
Veja aqui as principais propostas dos candidatos para que os alimentos não causem uma indigestão no bolso dos brasileiros.
Flávio Bolsonaro: "O brasileiro precisa poder comprar os alimentos"
Seu programa de governo afirma que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, mas tal liderança não é percebida pelos consumidores na hora das compras.
"Parte importante da explicação está no caminho entre a lavoura e a prateleira", afirma o documento, acrescentando que o custo logístico equivale a 15,5% do produto interno bruto do país, enquanto, nos Estados Unidos, ele é de 8,8% do PIB. "Essa diferença não fica no meio do caminho: ela chega ao preço final e é paga pela família", afirma o texto.
Assim, a primeira proposta de Flávio Bolsonaro é construir "corredores logísticos inteligentes" que permitirão reduzir o custo do transporte de cargas. Ele também planeja ampliar o seguro rural, permitindo maior previsibilidade para o agricultor, que seria encorajado a plantar, porque se sentiria coberto contra eventuais perdas.
O programa de Flávio promete ainda ampliar a capacidade de armazenamento das safras, um problema crônico do Brasil.
Sem ter onde estocar a produção, os agricultores são forçados a escoá-la rapidamente e o país fica sem estoques reguladores para o período de entressafra, gerando grande impacto nos preços.
"Com armazenagem, o alimento fica disponível o ano inteiro, e a conta do supermercado deixa de ser uma surpresa a cada visita", afirma o texto.
Por fim, para garantir segurança alimentar aos brasileiros, o senador propõe apoiar a produção nacional de fertilizantes.
Como se sabe, embora seja uma espécie de celeiro do mundo, a agricultura local depende de fertilizantes importados, o que encarece o plantio em momentos de crise internacional.
Lula: "É preciso apoiar quem alimenta o Brasil"
O programa de governo de Lula é mais abrangente e intercala um balanço do que o petista afirma ter obtido em seu terceiro mandato com os planos para uma eventual quarta temporada no Palácio do Planalto.
Ao afirmar, por exemplo, que seu governo retirou o Brasil do Mapa da Fome, o documento cita que, entre os fatores que contribuíram para isso, estão o "fomento à produção de alimentos e a retomada dos estoques reguladores, fundamentais para reduzir a inflação de alimentos".
Lula também acena para a agricultura familiar, para a qual promete mais recursos para financiar a produção e lembrou que, nos últimos anos, o orçamento do Pronaf, programa focado na agricultura familiar, bateu sucessivos recordes.
"No próximo mandato, vamos assegurar que quem alimenta o Brasil continue a ter condições adequadas para produzir e prosperar", afirma o texto.
O presidente-candidato planeja ainda elevar o orçamento do Plano Safra para as pequenas famílias. Para os grandes produtores rurais, o programa propõe ampliar os recursos do Plano Safra e garantir juros "compatíveis com a rentabilidade da atividade agropecuária". Lula promete ainda "consolidar o crédito como instrumento de modernização" do agronegócio. Para tanto, se dispõe a incentivar a diversificação das fontes de financiamento, "estimulando o mercado de capitais e títulos do agronegócio."
O documento assinala ainda a pretensão de fortalecer o seguro rural, a fim de proteger os produtores rurais de perdas decorrentes dos eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes.
"Queremos um país que garanta segurança alimentar, fortaleça sua produção agropecuária e agroindustrial, agregue valor às exportações, preserve o meio ambiente e assegure alimentos de qualidade a preços acessíveis", afirma o plano lulista.
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