‘Bancada do impeachment’ chega a 49 integrantes.
32 dos 54 novos parlamentares eleitos já defenderam publicamente a iniciativa; PL praticamente dobrou número de cadeiras
Michelle Bolsonaro — Foto: Evaristo Sá/AFP O avanço da direita nas eleições deste domingo (4), com a eleição de pelo menos 32 dos novos senadores que defendem publicamente o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), a “bancada do impeachment” chega bem perto do número de votos necessários para tirar do cargo um integrante da Corte.
O grupo será capitaneado pelo PL, que aumentou a própria bancada de 15 para 28 cadeiras e já tinha como prioridade nesta campanha formar um contingente forte o suficiente para eleger um presidente do Senado Federal e destravar um dos cerca de cem pedidos de impeachment que esperam na gaveta de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).
Os 32 senadores eleitos neste domingo se somam aos 17 que já estão no Senado e defendem o impeachment de ministros da Corte, segundo levantamento feito pela equipe da coluna com base em posicionamentos públicos de cada um deles.
Com a nova composição, a chamada “bancada do impeachment” passa a ter 49 integrantes.
O resultado vai além do que o próprio STF já previa em seus monitoramentos internos, como mostramos no blog, mas está em linha com o que as pesquisas de opinião apontavam nos últimos dias.
Em julho, pesquisas internas do Supremo apontavam que a bancada “pró-impeachment” poderia alcançar aproximadamente 40 das 81 cadeiras.
Em dezembro do ano passado, o ministro Gilmar Mendes deu uma decisão aumentando de 41 para 54 o quórum necessário para apear do cargo um ministro da Suprema Corte.
A polêmica decisão modificou o que estava previsto na Lei do Impeachment, que determinava a aprovação da denúncia por maioria simples.
Nas contas do Supremo, a “bancada do impeachment” é formada majoritariamente por senadores do PL, PP, União Brasil, Novo e Republicanos, onde estão os principais críticos à atuação dos ministros.
Dentre os novos senadores eleitos, no entanto, também há integrantes de outras siglas que endossam o posicionamento contrário à Corte, como os senadores reeleitos Alessandro Vieira (SE), do MDB, e Styvenson Valentim (RN), do Podemos.
Em relação ao PP, o levantamento feito desconsidera o ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira, eleito senador por Alagoas deste domingo, que tem adotado uma postura de neutralidade a respeito desse tema.
Bancada
A Federação União-Progressista elegeu sete novos senadores, enquanto o Partido Novo conquistou três cadeiras, e o Republicanos, duas.
Essas bancadas ficam com 11, 3 e 6 senadores respectivamente.
Para efeito de comparação, o PT elegeu 6 senadores e terá uma bancada com 9 parlamentares a partir do ano que vem.
Somados com as outras siglas do mesmo campo político, PSB e PDT, a esquerda terá ao todo 14 representantes no Senado.
Em relação a Cleitinho (Republicanos) e Sergio Moro (PL), eleitos governadores de Minas Gerais e do Paraná neste domingo e defensores efusivos do impeachment de ministros do Supremo, o levantamento considerou seus respectivos suplentes: Alex Diniz (PL-MG) e Luis Felipe Cunha (União Brasil-PR).
Já Alan Rick (Republicanos), no Acre, e Professora Dorinha (União Brasil), no Tocantins, disputarão o segundo turno das eleições ao governo estadual.
Supremo no alvo
O STF está na mira da tropa de choque bolsonarista e, em meio à crise entre os ministros, cresceu entre a direita o apelo pelo impeachment de magistrados envolvidos no caso do Banco Master.
O principal alvo é o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que culminou na condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e dos demais envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023.
Atualmente, há cerca de 100 pedidos do tipo contra ministros do Supremo na Casa, engavetados pelo presidente Davi Alcolumbre.
Nunca na história do Senado foi aberto um processo de impeachment contra um ministro da Corte.
Em abril deste ano, mesmo com uma bancada bem menor do que terá a partir de 2027, o bolsonarismo conseguiu em uma aliança com Alcolumbre e até Alexandre de Moraes recusar a nomeação do advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Lula (PT) para ocupar a vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso.
Foram 42 votos contrários e 34 a favor da aprovação, o que resultou na primeira rejeição de uma indicação ao Supremo em 132 anos.
Veja quem são os integrantes da "bancada do impeachment" (senadores eleitos neste domingo estão em negrito):
Alan Rick (Republicanos-AC)
Alessandro Vieira (MDB-SE)
Alexandre Guimarães (MDB-TO)
André do Prado (PL-SP)
Astronauta Marcos Pontes (PL-SP)
Bia Kicis (PL-DF)
Bruno Scheid (PL-RO)
Capitão Contar (PL-MS)
Carlos Bolsonaro (PL-SC)
Carlos Jordy (PL-RJ)
Carlos Portinho (PL-RJ)
Carol de Toni (PL-SC)
Alex Diniz (PL-MG)
Damares Alves (Republicanos-DF)
Deltan Dallagnol (Novo-PR)
Domingos Sávio (PL-MG)
Dr. Fernando Máximo (PL-RO)
Dr. Hiran (PP-RR)
Eduardo Gomes (PL-TO)
Efraim Filho (PL-PB)
Evair de Melo (Republicanos-ES)
Filipe Barros (PL-PR)
Gracinha Caiado (União Brasil-GO)
Guilherme Derrite (PP-SP)
Gustavo Gayer (PL-GO)
Jaime Bagattoli (PL-RO)
Jorge Seif(PL-SC)
Laércio Oliveira (PP-SE)
Lahesio Bonfim (Novo-MA)
Lucas Barreto (PSD-AP)
Magno Malta (PL-ES)
Mara Rocha (Republicanos-AC)
Marcel Van Hattem (Novo-RS)
Marcio Bittar (PL-AC)
Mauro Mendes (União-MT)
Michelle Bolsonaro (PL-DF)
Hamilton Mourão (Republicanos-RS)
Nicoletti (PL-RR)
Professora Dorinha Seabra (União Brasil-TO)
Reinaldo Azambuja (PL-MS)
Rogério Marinho (PL-RN)
Sanderson (PL-RS)
Luis Felipe Cunha (União Brasil-PR)
Styvenson Valentim (Podemos-RN)
Teresa Surita (MDB-RR)
Tereza Cristina (PP-MS)
Wellington Fagundes (PL-MT)
Wilder Morais (PL-GO)
Zé Medeiros (PL-MT)
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