Lula admite decepção com resultado e convoca aliados para virar disputa contra Flávio
Lula mira segundo turno, diz ser “antissistema” e responsabiliza STF por crise de confiança
Lula após reunião nesta segunda-feira (5) com aliados | Reprodução O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reuniu aliados nesta segunda-feira (5) para traçar a estratégia do segundo turno da eleição presidencial e demonstrou confiança na possibilidade de reverter a vantagem de Flávio Bolsonaro (PL).
No primeiro turno, Flávio terminou à frente, com 47% dos votos, enquanto Lula alcançou 45%.
Diante do cenário, o presidente pediu empenho de governadores, senadores, deputados e dirigentes partidários para os próximos 20 dias de campanha.
Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e da senadora eleita Marília Arraes (PDT-PE), Lula reconheceu a frustração com o resultado, mas afirmou acreditar na virada.
“Eu estou convencido que não há nenhuma razão para que a gente não seja eleito presidente da República no segundo turno”, afirmou.
CRÍTICAS AO STF
Durante o encontro, Lula atribuiu parte do desgaste eleitoral à crise de confiança no Supremo Tribunal Federal (STF).
O presidente mencionou as suspeitas e questionamentos envolvendo ministros da Corte e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Segundo Lula, as denúncias criaram uma situação que estaria afetando sua campanha.
“Estamos carregando nas costas uma coisa muito grave, que é a promiscuidade que ficou estabelecida na Suprema Corte depois dessas denúncias”, declarou.
A fala foi recebida com aplausos pelos aliados presentes.
LULA SE APRESENTA COMO “ANTISSISTEMA”
Na tentativa de reposicionar sua campanha para a segunda etapa da disputa, Lula também adotou um discurso mais crítico ao sistema político e afirmou ser o único candidato com esse perfil na eleição.
“Só tem um candidato antissistema: eu”, disse.
A declaração ocorre apesar da proximidade institucional demonstrada pelo presidente com integrantes do STF durante a campanha, inclusive em encontros realizados fora da agenda oficial.
Lula também lembrou a eleição de 2006, quando conseguiu ampliar sua votação no segundo turno e derrotou justamente Alckmin, que hoje ocupa a Vice-Presidência da República.
SEGURANÇA PÚBLICA ENTRA NO CENTRO DA CAMPANHA
Outro tema que deverá ganhar espaço na campanha petista é a segurança pública. Lula sinalizou que pretende intensificar a defesa de uma proposta que amplia a participação do governo federal no enfrentamento ao crime organizado.
Para o presidente, os estados não conseguem mais enfrentar sozinhos a estrutura das organizações criminosas.
Lula afirmou que o crime organizado se tornou mais sofisticado e passou a atuar em diferentes setores da sociedade.
A avaliação deverá ser utilizada como argumento para defender uma maior atuação da União na segurança pública.
ABSTENÇÃO PREOCUPA PETISTAS
A elevada abstenção no primeiro turno também entrou na avaliação da reunião.
Lula cobrou dos aliados uma estratégia para entender por que milhões de eleitores deixaram de votar e para tentar recuperar esse eleitorado no segundo turno.
O presidente associou a ausência às urnas ao desempenho abaixo do esperado pelo PT e afirmou que será necessário reconquistar o interesse dos eleitores pelo processo eleitoral.
Lula ainda deu um prazo de aproximadamente 20 dias para que o partido intensifique a campanha e tente explicar ao eleitorado os riscos que, na avaliação petista, estão envolvidos na eventual vitória de Flávio Bolsonaro.
A disputa pelo segundo turno, portanto, começa com diferença apertada entre os dois candidatos e uma campanha que deverá concentrar esforços em temas como segurança pública, STF, abstenção e mobilização de eleitores.
COMENTÁRIOS